O PREÇO DA POPULARIDADE
Os votos conferidos ao presidente Lula em Manaquiri , na última eleição, beirou quase à unanimidade. Agora surge a condenação pelo Tribunal de Contas da União (TCU) que obriga o ex-prefeito Sandro Pires a devolver quantia superior a R$ 700 mil aos cofres públicos. Município pobre, eleitorado idem... Como perguntar não ofende, questiona-se a possibilidade existir alguma relação entre os resultados das urnas e o dinheiro público que escorreu pelo ralo. Os indícios dizem que sim.
RASTREANDO FICHA SUJA
Quem está preocupado em fazer o quanto antes o rastreamento dos políticos com ficha suja no Amazonas é o procurador regional eleitoral, Edmilson Barreiros. Para informar o eleitor sobre os lobos em pele de carneiro nas eleições deste ano, ele já pediu ao Tribunal de Justiça do Amazonas a lista com o nome dos políticos com pendências no Judiciário. Com o contingente de políticos-meliantes já ultrapassando a casa dos 400, contando só os incluídos nas relações fornecidas pelos tribunais de contas da União e do Estado do Amazonas, todo cuidado é pouco.
MULHER DE CABARÉ
Ontem, último dia do festival de Parintins, o Caprichoso entrou primeiro na arena e Edilson Santana, o amo, comparou o Garantido a um circo. Quando chegou a vez do Garantido, Tony Medeiros foi à forra. “Te desafio, contrário/para onde e quando quiser/ a roupa desse teu amor já está igual a mulher/que passa a noite na farra/ voltando do cabaré”. Os versos fizeram a alegria da galera encarnada, afinal esse momento é muito esperado, exatamente pelo desafio entre os bois. Tudo bem que é pura emoção, mas Tony Medeiros, que pretende ser deputado estadual, poderia começar treinando o linguajar. É bem possível que uma expressão dessas, no plenário, desse em quebra de decoro, hein, amo ?
O CONTRÁRIO É UM CIRCO
Em resposta ao amo do Garantido, Toni Medeiros, que em versos atacou o levantador de toadas David Sayag, no sábado, Edilson Santana, o amo do Caprichoso, dirigindo-se aos jurados, ontem, domingo, pediu que eles não se assustassem, porque o “boi contrário” viria com “um grande circo”. Como se sabe, em qualquer circo tem malabaristas, trapezistas e...palhaços. Não se sabe se o destempero de Santana influenciará os jurados. Mas foi o Toni Medeiros quem começou. Refletindo ainda o desgosto do Garantido com a saída David Assayag para o Caprichoso, em16 de setembro de 2009, Toni Medeiros, sem citar o nome (nem precisava) falou em “primeiro traíra (traidor) a se vender a prestação” e que estava “cuspindo no prato que comeu”. Então fica assim: de amo para amo, com carinho.
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Enquanto isso, o substituto de David Assayag, Sebastião Júnior, de apenas 23 anos, paraense, é aplaudido e festejado pela bela voz. Já o “odiado” David, que durante muito anos ajudou nas vitórias do Garantindo, como sempre ao lado da esposa (ele é cego), depois da apresentação do Caprichoso, declarou: “Vamos ser campeões, se Deus quiser”.
E DILMA NÃO COMPARECEU
Dilma Roussef, candidata do PT á presidente da República, não deu o ar a graça no Festival Folclórico de Parintins, como chegou a ser noticiado pela imprensa, no início de junho. Pelo que foi dito, ela incluiria Parintins em sua agenda de viagem, devendo assistir uma das três noites do espetáculo mostrado pelos bois de pano mais famosos do Brasil. Dilma teria dito a João Pedro, presidente regional do PT e torcedor do Garantido, que de todos ouvia ser a festa “uma maravilha”. Mas aí teve a viagem à Europa...
SERRA FOI E GOSTOU
Já o tucano José Serra, como havia anunciado o senador Arthur Neto, também tucano, compareceu no primeiro dia (sexta-feira,25 ) e não economizou nos elogios, lá mesmo na na Tupinambarana e depois, no twitter. Serra ficou admirado com a criatividade dos parintinenses e com o costume de, quando um boi está se apresentando, a galera do outro boi ficar em silêncio. Na verdade, o Festival continua encantando, mas atraindo poucos famosos, como em outros tempos. Neste ano, por exemplo, a artista mais famosa que pintou no pedaço foi a cantora baiana Daniela Mercury, que não parou de se mexer um instante.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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