O ex-governador Amazonino Mendes parece saber onde está o coringa de um jogo de poder no qual é a principal estrela, o preferido do eleitorado, mas sob sério risco de uma eliminação precoce. O fosso aberto está entre o prazo que tem para se filiar a um partido - até 31 deste mês - e a possibilidade dada às agremiações de formarem federações, que vai até o final de maio.
O União Brasil, projeto inicial do ex-governador, abriu as portas para o governador Wilson Lima. O PL, outro grande partido, insinua namoro, mas corteja Amazonino de olho em outros interesses, inclusive fazer o vice de Wilson.
Sobram outros partidos, mas o PSDB exibe plumas e faz o seu característico canto, um tanto lúgubre:“greeeeekt-eeeek” e “aaaaaaark-rk”, sem inspirar a confiança que Amazonino precisa.
Entre os tucanos históricos está Arthur Virgilio, que disputou as primárias do partido que indicaria o candidato a presidente da República e perdeu, mas esconde seu sonho de disputar o governo do Amazonas. Até aqui não disse o que quer. Seus seguidores vendem a ideia de que é pré-candidato ao Senado. Astuto, Arthur tem um olhar menos de tucano e mais de águia. Avalia o terreno e as presas que quer devorar.
Sem Amazonino na disputa, Arthur sabe que tem grandes chances de chegar ao segundo turno, pelo histórico que tem como ex-prefeito e senador.
A iniciativa do PSDB de atrair Amazonino pode se tornar uma grande armadilha para o ex-governador. Amazonino pode não admitir, mas deve suspeitar que talvez não seja o escolhido em convenção partidária marcada para julho.
O futuro do ex-governador depende agora de dois fatores: o partido que vai escolher e a confiança nos seus dirigentes. O resto já tem: um eleitorado que não esqueceu seus últimos governos e o mantém no topo das pesquisas realizadas até aqui.


Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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