"Imaginem Manaus sem a Zona Franca, senador Omar Aziz e senador Eduardo Braga”. Aquela live de um ano atrás feita pelo presidente Bolsonaro já continha a pista de suas iniciativas futuras para atingir os dois senadores que emparedaram seu governo na CPI da Covid. Veio o decreto que reduziu o IPI para a indústria e o outro que zerou a alíquota para os concentrados de refrigerantes. Omar diz que Bolsonaro não o atinge, mas o povo do Amazonas. Na visão do presidente - que não está errada - Omar e Eduardo representam o Estado do Amazonas e, assim, golpeia a indústria, ameaça os empregos e acha que não está apenas se vingando, mas fazendo o melhor para o país, que se livra do “encosto tributário” que os dois senadores tanto prezam.
Para um Estado pequeno, eleitoralmente insignificante (apenas 1,70% do eleitorado brasileiro), com uma bancada pequena e tantos interesses em jogo, é imprudente tomar partido ou atacar o Executivo, atraído pelo brilho momentâneo das câmeras de televisão.
Os representantes do Amazonas brilharam na CPI, que revelou negócios escusos do governo federal com a compra de vacinas, motivou o Supremo dar aos Estados autonomia para decidirem as medidas necessárias para conter o avanço da pandemia. Foram brilhantes, mas podem ter comprometido o futuro do modelo Zona Franca de Manaus.
Omar, especialmente, poderia cobrar da Rede Globo a mesma vigilância, a mesma pressão contra o governo e o mesmo apoio que lhe foi dado na CPI da Covid no embate de agora, de defesa da Zona Franca de Manaus. Evidentemente que não interessa ao grupo Globo a defesa da Zona Franca. Afinal, os decretos de Bolsonaro, que atingem o modelo, favorecem interesses do grupo de comunicação concentrados na indústria paulista.
Os políticos do Amazonas não podem mais entrar no que popularmente se chama de “bola dividida”. O fazem por vaidade.
É ingênuo supor que o Amazonas não está sozinho na luta para manter as vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus. Nunca esteve tão só.
Ah, mas tem o Supremo Tribunal Federal, que nunca nos desamparou, insistem os políticos de plantão. Mas é bom não esquecer que o Supremo mudou, que sua composição nunca foi tão politica como agora. Que interesses dos demais estados brasileiros podem predominar sobre os interesses locais. Ainda não é o fim da ZFM. Mas estamos próximos dele…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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