O caso Benício : Ao investigar, o policial precisa ser imparcial. O resultado da investigação é a base de um processo criminal. Por isso, a prudência e a contenção são necessárias, até para não provocar reações violentas da opinião pública.
A credibilidade das instituições depende não apenas da firmeza com que investigam, mas também da disposição de submeter suas afirmações ao exame dos fatos.
A cautela exigida de uma investigação criminal torna-se ainda mais necessária quando a morte de uma criança provoca comoção pública.
No caso de Benício Xavier de Freitas, de seis anos, a defesa da médica Juliana Brasil Santos obteve um elemento favorável: a perícia oficial não encontrou sinais de adulteração digital em um vídeo anteriormente apontado pela polícia como fraudado.
Embora não comprove falha no sistema hospitalar nem afaste as acusações, o resultado reforça a necessidade de distinguir suspeitas de fatos demonstrados.
A morte de Benício comove a sociedade e exige respostas. Mas a indignação legítima não pode antecipar responsabilidades.
A investigação deve esclarecer os fatos, identificar as condutas e estabelecer a participação de cada envolvido.
Afirmações feitas sob o impacto de uma tragédia, quando ainda dependem de comprovação, exigem prudência, sobretudo diante da repercussão que podem alcançar.
A acusação de homicídio sob a tese de dolo eventual torna essa cautela indispensável.
O médico não sai de casa para matar, mas para cuidar e salvar vidas. Isso não o isenta de responsabilidade por erros ou crimes. Entretanto, uma prescrição equivocada, mesmo seguida de morte, não demonstra, por si só, a aceitação consciente do risco de produzi-la.
Entre a culpa profissional e o dolo eventual existe uma distinção que somente as provas podem esclarecer.
O laudo não absolve a médica nem invalida a investigação. Apenas estabelece que não foram encontrados vestígios de edição no vídeo examinado, sem esclarecer as circunstâncias da gravação ou a causa das alterações observadas na tela. É uma conclusão limitada, mas relevante.
A credibilidade das instituições depende não apenas da firmeza com que investigam, mas também da disposição de submeter suas afirmações ao exame dos fatos.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.
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