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2023: O ano em que os brasileiros foram silenciados

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Por Coluna do Holanda
15/12/2023 às 01h14 — em Coluna do Holanda
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O ano de 2023 foi de um penoso aprendizado. Se o País começou a se dividir em 2018, com a eleição de Bolsonaro, cindiu-se de forma amarga  em 2023, quando grupos que contestavam  o resultado das eleições de outubro de 2022   depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.  Mas também foi o ano em  que pessoas mudaram a visão que tinham da democracia e da  liberdade. Quem podia mudar as regras do  jogo democrático mudou.  E conceitos foram alterados. 

Mas não se pode falar de 2023 sem os dois anos pretéritos, em que a divisão foi semeada. Primeiro, com Bolsonaro, fingindo que governava e pregando abertamente um regime de exceção.  Depois, o fator Fachin. 

Em 2021, com surpresa, ainda incrédulos, os brasileiros tomaram ciência de uma decisão do Ministro Edson Fachin, anulando os processos contra  Lula na 13a Vara Federal de Curitiba, apenas porque a competência para tal era de uma Vara de Brasilia, sem entrar no mérito dos crimes atribuídos ao então ex-presidente.

Metade do Brasil foi pra rua, metade ficou em casa tentando compreender o por quê daquela decisão. Sem respostas…até a disputa eleitoral seguinte, na qual Lula, reabilitado, retornou ao poder. 

Aí o campo das ideias ficou minado, obstado ao mesmo tempo. As redes sociais explodiram e vozes foram suprimidas. De repente, o País da democracia silenciava seus cidadãos. E o martelo continua ativo. 

Quem diria que o homem que  mandou bloquear perfis em redes sociais, censurou textos jornalísticos, prendeu políticos e passou a presidir o inquérito de 8 de janeiro, sobre as  depredações das sedes dos Três Poderes, mandando recolher a presídios  centenas de pessoas,  limitando o direito de defesa e desprezando o papel do Ministério Público, tenha, anos antes,  dito que “o funcionamento eficaz da democracia representativa exige absoluto respeito à ampla liberdade de expressão, possibilitando a liberdade de opinião, de criaçao artística, a proliferação de informações, a circulaçao de ideias, garantindo-se, portanto, os diversos e antagônicos discursos - moralistas, obscenos, conservadores e progressistas, científicos, literários, jornalísticos ou humorísticos, pois, no dizer de Hegel, é no espaço público de discussão que a verdade e a falsidade coabitam”.

 Mas há outra frase atribuída ao filósofo  Georg Wilhelm Friedrich Hegel  (não citada pelo ministro Alexandre Moraes), que se encaixa  quando se compara essa mudança radical de ideias e conceitos ao longo dos últimos  três anos: "O homem não é mais do que a série dos seus atos.”

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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