RIO - Se tudo estivesse correndo como planejado, nesta noite seria exibido mais um episódio inédito de “Game of thrones”. A sétima temporada da série da HBO que costumava voltar ao ar nesta época do ano, porém, foi adiada para julho, deixando na mão milhões de fãs mundo afora.
Como quem não tem cão caça com gato, o Fox Premium estreia este domingo, às 23h, “The white princess”. Afinal, a trama (baseada em fatos, diga-se) se passa no fim da Guerra das Rosas, período histórico que inspirou George R. R. Martin a escrever suas “Crônicas de gelo e fogo”. Continuação de “The white queen” (cujos dez episódios serão reprisados em esquema de maratona pelo mesmo canal, a partir das 11h20m), a série também é capitaneada pela roteirista Emma Frost (“Shameless”) e também se baseia num livro de Philippa Gregory.
Na linha de frente estão Jodie Comer, revivendo Elizabeth de York, e Jacob Collins-Levy, como o rei Henrique VII, importantes personagens da História da Inglaterra. Assim como “Game of thrones”, o drama histórico em oito episódios é cheio de disputas por poder, intrigas políticas, crises familiares e casos de amor e traição. E as semelhanças (a maior diferença são, claro, os dragões) seguem: a série traz ainda a atriz Michelle Fairley (a eterna Catelyn Stark, de “GoT”) no papel da Lady Margaret Beaufort, mãe de Henrique VII, além de Essie Davis e Rebecca Benson, que tiveram participações menores na superprodução da HBO.
— É quase impossível que um drama histórico não seja comparado a “Game of thrones”. Ainda mais nesse caso, em que as duas histórias se passam no mesmo período — admite Collins-Levy, pouco conhecido ator australiano, em seu primeiro grande papel, e que aposta no sucesso da série. — Nós estamos constantemente olhando para o passado tentando entender nossa situação atual. Se esquecermos da História, estamos condenados a repeti-la. Há muitas lições a se tirar de uma série que olha para o passado, e acho que é por isso que histórias sobre a realeza atraem tanto as pessoas.
Outro trunfo é que, assim como “Game of thrones”, “The white princess” é recheada de personagens femininos fortes.
— A História, especialmente a daquele período, passado centenas de anos atrás, sempre foi filtrada pelas lentes dos homens. É uma história escrita pelos homens. Por isso, as mulheres têm sido ignoradas em produções históricas. Finalmente estamos vendo um drama histórico ser contado pela perspectiva das mulheres, e acho que isso é exatamente o que precisamos agora.
Assim, apesar de mostrar a ascensão de Henrique VII ao trono, a série é contada do ponto de vista das mulheres que cercavam o homem que reinou a Inglaterra entre 1485 e 1509.
— Henrique VII era um homem interessante, mas acho que o grande trunfo de “The white princess” é que a gente vê que o homem mais poderoso daquela época era um incapaz de reinar efetivamente sem a ajuda das mulheres ao lado dele — frisa Collins-Levy, lembrando que, apesar de ser rei, seu personagem não é o centro das atenções. — Sua mãe, Margaret Beaufort (), e sua mulher, Elizabeth de York () são obviamente as personagem principais.
Para o ator, esse é um indício de mudanças na indústria do entretenimento:
— Temos muitas personagens fortes na TV hoje, séries como “Outlander” e “Jessica Jones”, mas acho que uma série como “The white princess” não teria sido feita 10, 20 anos atrás, numa indústria que ainda é gerida predominantemente por homens.

