Início Arte e Cultura Teatro Oficina tem três décadas de sua história convertidas para o digital
Arte e Cultura

Teatro Oficina tem três décadas de sua história convertidas para o digital

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um sobrado no tradicional bairro do Bixiga, em São Paulo, guarda um tesouro da cena cultural brasileira em processo de transformação digital. Enquanto preserva fisicamente mais de 3.000 figurinos --que incluem peças criadas por Lina Bo Bardi, Clóvis Bornay e Hélio Oiticica--, adereços e objetos de cena das últimas três décadas do Teatro Oficina, a Casa de Acervo Oficina avança na digitalização completa desse patrimônio, graças a um projeto contemplado por edital público.

O acervo físico, que inclui registros de espetáculos emblemáticos como "Hamlet" (1993), "Cacilda!" (1998), "Os Sertões: A Terra" (2002), "O Rei da Vela" (2017) e "Roda Viva" (2019), está sendo meticulosamente convertido em versão digital por uma plataforma desenvolvida pela Universidade de Brasília em parceria com o Instituto Brasileiro dos Museus. A ferramenta permitirá acesso gratuito a todo o patrimônio documental da companhia fundada por José Celso Martinez Corrêa.

A atriz Sylvia Prado, envolvida no processo, descreve sua função como ponta entre o físico e o digital: "Nessa nova produção de memória, com o armazenamento, catalogação e conservação dos 30 anos da Uzyna, eu atuo justamente como essa memória ativa, um 'HD físico' desses processos, peças e histórias". Ela complementa: "E vou aprendendo muito com o que é novo, pois a catalogação, para mim, é um processo fascinante, uma organização chique que nos leva adiante".

Enquanto o trabalho digital avança, a equipe mantém o compromisso com a preservação física. A Oficina de Conservação e Restauração de Têxteis, ministrada pela especialista Cláudia Nunes, tem formado profissionais para o cuidado material das peças. "Cláudia trouxe para nós não só técnicas, mas uma sabedoria de 40 anos de experiência em projetos de restauração no Brasil e fora do país. Ela já restaurou até mesmo um lenço de Dom Pedro 2º", afirma o ator Victor Rosa, coordenador-geral do acervo.

Elisete Jeremias, diretora-geral da Casa de Acervo Oficina, enfatiza a dupla natureza do projeto: "O acervo é fundamental não só pela memória, mas porque também alimenta as novas produções. Às vezes, um figurino criado décadas atrás segue entrando em cena. É um patrimônio vivo em expansão constante. Agora, com a digitalização, esse patrimônio ganha dimensão ainda maior, tornando-se acessível para pesquisadores em qualquer lugar do mundo".

O projeto, com duração de 12 meses e previsão de conclusão para março de 2026, mantém seus três eixos fundamentais: preservação e conservação do acervo têxtil, catalogação digital e adequação da infraestrutura física da casa. As melhorias na segurança patrimonial e prevenção contra incêndios garantem a proteção do material original enquanto avança sua transformação digital.

O Teatro Oficina, um emblemático prédio de São Paulo idealizado por Lina Bo Bardi, é tombado nas três esferas --municipal, estadual e federal-- e seu acervo reflete um capítulo essencial da cultura brasileira. O projeto de preservação e digitalização do acervo deve durar 12 meses e tem previsão de conclusão para março de 2026.

A Casa mantém o perfil @casadeacervo.oficina no Instagram e prepara um canal no YouTube para veicular entrevistas e documentários, integrando memória oral ao acervo digital. O trabalho, iniciado em 1992 após um incêndio que atingiu o teatro, consolida-se agora como uma ponte entre a tradição preservada e a inovação digital, garantindo que a história do Oficina permaneça viva.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?