SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Quando eu escrevo, não tenho uma intenção didática. Não vejo a literatura como um livro escolar." A escritora Isabela Figueiredo abriu sua conferência no ciclo Fronteiras do Pensamento, que acontece virtualmente na noite desta quarta (9), com uma defesa de que o livro é uma construção conjunta entre o escritor e o leitor. "Eu preciso dos outros para construir arte. Não sei se seria capaz de fazer arte se estivesse fechada numa gruta." Figueiredo ganhou notoriedade com "Caderno de Memórias Coloniais", romance que busca traçar um acerto de contas da exploração da metrópole portuguesa nos países africanos lusófonos. Sete anos depois, ela também publicou a elogiada sátira "A Gorda". Também jornalista e professora, ela tem se dedicado a refletir sobre identidade e as relações de poder baseadas em sexo e raça na sociedade portuguesa. A fala da escritora nascida em Moçambique e radicada em Portugal encerra o ciclo Fronteiras do Pensamento deste ano, que teve palestras virtuais de nomes como Timothy Snyder, Alain Mabanckou e Andrew Solomon.
