RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - "É um impulso natural de civilidade. Em alguns momentos da vida, me dediquei a aspectos dessa dimensão civil, no debate de ideias e ideologias. A gente precisa sempre estar mais contributivo", afirmou o cantor e compositor Gilberto Gil, de 79 anos, antes da cerimônia de posse da cadeira número 20 da Academia Brasileira de Letras, a ABL, na noite desta sexta-feira (8).
Em novembro do ano passado, Gil havia sido eleito, após receber 21 votos na disputa com o poeta Salgado Maranhão (sete votos) e o escritor Ricardo Daunt (nenhum voto). Ministro da Cultura de 2003 a 2008, ele ocupará a vaga deixada pelo jornalista Murilo Melo Filho, morto em maio de 2020.
Expoente da Tropicália nos anos 1960, movimento que revolucionou a música brasileira, a eleição de Gil simboliza o fortalecimento da representatividade negra entre os acadêmicos, indicando mais uma etapa do processo de modernização da ABL -iniciada com a posse de Fernanda Montenegro, "uma mulher do palco", como se definiu em seu próprio discurso.
Autor de discos fundamentais para a história da MPB -"Gilberto Gil" (1969), "Expresso 2222" (1972) e "Refazenda" (1977)-, Gil teve o conjunto de seus poemas reunido no livro "Todas as Letras", editado em 1996, com organização de Carlos Rennó.
A cadeira nº 20 tem como patrono Joaquim Manoel de Macedo e fundador Salvador de Mendonça. Antes de Gil, ocuparam a vaga Emílio de Meneses, Humberto de Campos, Múcio Leão e Aurélio de Lyra Tavares -ministro do Exército e um dos signatários do AI-5, em 1968, que vitimou o próprio Gil.

