SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na onda dos chaveiros maximalistas, labubus e outros penduricalhos para pendurar na bolsa, o gloss-chaveiro também está se tornando um grande sucesso entre os jovens e nas redes sociais. O produto virou objeto de desejo com embalagens que vão do fofo ao minimalista e um prendedor que transforma o item de maquiagem em acessório.
No último ano, marcas nacionais (como FRAN by Franciny Ehlke, Mari Maria Makeup e Dudah Beauty) e importadas (como Fenty Beauty, Kiko Milano e Glossier) lançaram suas versões ou acessórios que permitem transformar um balm ou gloss labial comum em chaveiro. Além disso, há os milhares de vídeos DIY (faça você mesmo) no TikTok em que usuários ensinam como criar o seu próprio chaveiro, sugerem personalizações com pingentes e exibem os seus glosses-chaveiros pendurados em bolsas e mochilas.
Nina Grando, pesquisadora de tendências, explica que os glosses-chaveiros não surgiram do nada: "Eles acompanham uma tendência estética que vem crescendo, que é o maximalismo". Essa moda também resgata o visual conhecido como Y2K, inspirado pelos anos 2000, aposta no excesso, no kitsch estilo caracterizado por elementos considerados de bregas, cafonas e exagerado e em detalhes fofos ou divertidos pendurados na bolsa ou na roupa.
Além da estética, Grando lembra que existe uma camada comportamental por trás da febre. Para ela, esse objeto, assim como seus similares, embarcam na tendência "kidult", que consiste em levar elementos infantis para a vida adulta em uma tentativa de se apegar em sentimentos positivos. "Também é uma forma de escape de um mundo tão terrível, com guerras, custo de vida elevadíssimo, inflação, a geração Z sem perspectiva de ter casa própria."
Outra trend que entra nessa onda são as "cacareco girls", como explica Grando. São meninas e mulheres que carregam chaveiros, bonequinhos e miniaturas na bolsa, mochila e até no cinto. Ela destaca que a popularidade desses itens cresceu muito de 2024 para cá em um movimento impulsionado pelas redes sociais.
Apesar de não haver uma idade para ser adepto a esses itens, a geração Z é principal fã do gloss-chaveiro e é quem mais explora esses penduricalhos como forma de mostrar estilo. "Eles não olham para estilo só como uma peça de roupa, um corte de cabelo ou a maquiagem. É tudo: a playlist, os games, o fã-clube de que faz parte. E os chaveiros são uma forma de traduzir tudo isso offline, explica a pesquisadora.
O estudante Nicholas Street, de 20 anos, é um dos adeptos do gloss-chaveiro. Ele adquiriu o Lip Honey da marca FRAN, que conta com embalagem de colmeia inspirada na fragrância de mel do cosmético, após se interessar pelo produto em vídeos do TikTok e Instagram. Mas, segundo ele, o principal atrativo para a compra não foi a possibilidade de pendurá-lo na bolsa, mas a qualidade de produto e a embalagem bonita.
Apesar da estética divertida, o formato do chaveiro nem sempre é funcional. O estudante, por exemplo, diz que nunca pendurou o gloss labial na bolsa. "Eu tinha medo de que alguém roubasse. Eu acho o conceito legal, mas não é tão prático para o dia-a-dia."
Esse é um fator também bastante comentado nas redes de quem se interessou pelo item. Alguns usuários apontam que, como a parte do chaveiro fica na tampa, é preciso levar a bolsa inteira até a boca ou remover o item antes de aplicar. Os acessórios que funcionam como uma capa que permitem desencaixar o gloss ou balm na hora de aplicar não sofrem com esse problema, apesar de serem menos seguros.
Mesmo assim, para a pesquisadora, a sensação de praticidade não é o único fator que impulsiona essa febre. Grando aponta que o gloss em versão chaveiro carrega um peso simbólico. "É como qualquer peça de roupa ou acessório que você mostra em público. O gloss faz parte da sua estética, mostra a marca que você acompanha, o que é tendência no TikTok. É um jeito de sinalizar que você está antenado", diz.
Para ela, essa febre dos glosses-chaveiros pode abrir caminho para outros cosméticos. "Se as marcas forem espertas, vamos ver protetores solares, perfumes sólidos, tudo em versão mini, pendurado na bolsa", aposta.

