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Com charcutaria do mar, Ocyá eleva o nível de trabalho com pescados

(FOLHAPRESS) - São em pequenas embarcações que os comensais chegam a um dos mais criativos e inovadores restaurantes surgidos no Rio de Janeiro nos últimos tempos.

Aberto em 2021 na Ilha Primeira, uma das sete que compõem um arquipélago na Lagoa da Tijuca -a poucos metros do fuzuê da insuportável Avenida das Américas, principal via da Barra-, o Ocyá se sobressai na cena gastronômica carioca ao revolucionar o modo como peixes e frutos do mar são armazenados, preparados e servidos.

Uma grande câmara de maturação exposta no salão (assim como na filial do Leblon) mantém os pescados em temperatura e umidade controladas por dias, semanas. O processo, semelhante à maturação a seco (dry aged) de cortes bovinos, leva a reações enzimáticas que degradam as fibras musculares, amaciando a carne. A redução de líquidos deixa o sabor mais concentrado, sem que os peixes percam o frescor e a suculência.

Essa é a teoria. Na prática, tudo se confirma. O crudo de peixe do dia (na ocasião, olho de boi) com molho ponzu (R$ 56) é a prova de que a maturação resulta, sim, numa textura diferente. Os cortes, como sashimis, vêm numa consistência mais firme e de gosto mais pronunciado do que o habitual.

O mesmo acontece com o colar de peixe maturado (neste dia era uma anchova há quase duas semanas na câmara), caramelo picante e molho cremoso de vinho branco (R$ 56). Os caras são bons de molho, e este leva ainda mais untuosidade ao corte pouco usual do pescado, que geralmente vai para o lixo.

O colar, neste caso, é a região da garganta (ou coleira), ao redor das guelras, onde há uma alta concentração de gordura e colágeno. Resultado: um naco de peixe (na porção servida na ilha há dois pedaços) marmoreado, suculento e cheio de sabor.

Parte do que é servido no Ocyá é capturado (no anzol ou arpão) por seu dono, Gerônimo Athuel, que prega a pesca seletiva, de baixa escala, e serve por lá peixes pouco badalados em outros restaurantes, como carapeba, xerelete, faqueco, paru e sororoca, todos limpos e eviscerados antes de irem para a câmara de maturação.

O cardápio também traz lulas (espalmadas, brilhantes) com molho velouté, uva fermentada e rúcula (R$ 69); peixe na brasa desossado, que varia de acordo com o que vem do mar, arroz de limão cremoso, farofa fria e batatas fritas, este o prato mais caro do cardápio (R$ 254, para dois).

No Ocyá, pescados viram bacon (no pastel com ovas e queijo a R$ 38, três) e recheiam linguiças, servidas num choripán com aïoli de chimichurri (R$ 49). A charcutaria do mar é também um dos pontos fortes do restaurante, que não alcançou a mesma maestria na única massa oferecida, o espaguete ao vôngole (R$ 98).

Menos feliz também foi a escolha da sobremesa. Anunciado como "molhadinho" no menu, o bolo de coco com creme inglês de capim-santo e doce de leite (R$ 29) é um pouco agressivo para paladares (e olfatos) mais delicados. De consistência esquisita, esponjosa, pecou pelo excesso da erva. De odor e sabor pronunciados demais, fez lembrar um detergente. Melhor ficar só no doce de leite mesmo.

OCYÁ

Avaliação Muito bom

Onde Ilha Primeira, Barra da Tijuca, zona oeste, @ocya.rio

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