SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os seis meses mais frios do mundo estão prestes a chegar em uma estação de pesquisa, a Polaris 6, na Antártida, quando um pequeno grupo de cientistas se despede do último dia com luz do Sol. Quando a noite chegar, estarão no escuro por meio ano. A tradição é fazer uma grande festa até o sol se pôr, depois assistir juntos a um filme de terror. A maioria dos pesquisadores foi embora e só ficaram os chamados "winterers", entre eles o cozinheiro Ramón, interpretado pelo único nome conhecido do elenco, o espanhol Álvaro Morte (o professor de "Casa de Papel"). Além dele, formam o time de inverno Arthur, um pesquisador inglês famoso, Annika, sua colega dinamarquesa, mulher de Johan, chefe da equipe que voltará à estação polar quando o inverno acabar, o chefe da equipe de inverno Erik, um alemão, o jovem pesquisador japonês Aki, a suiça Ebba, o escocês Miles, o inglês Nils e a jovem médica Maggie. São tantas as nacionalidades de intérpretes que o elenco mais se parece uma convenção da ONU, e a língua falada por eles também muda. O casal de dinamarqueses fala dinamarquês, e entre os de nacionalidade diferente a língua é a inglesa, com vários sotaques. Com um corte seco, a história continua com a equipe de Johan chegando de helicóptero de volta à Polaris 6, no primeiro dia de verão. O dinamarquês está preocupado com a falta de notícias da mulher, há três semanas sem se comunicar com ele. Quando entram na estação, o clima é de terror. Quase todos os "winterers" estão mortos, há apenas um sobrevivente em estado de choque e dois desaparecidos. A partir daí, a minissérie em seis episódios de mais ou menos 45 minutos cada se alterna entre dois tempos, a investigação de Johan para descobrir o que aconteceu no inverno, e os acontecimentos do inverno, como reconstruídos pelo sobrevivente, um que vai se lembrando aos poucos dos eventos traumáticos. O nome do programa, "The Head", se refere à primeira morte do time, em que um dos integrantes é encontrado na neve com a cabeça decepada, apenas encaixada no corpo, já nos primeiros minutos. Sangue e violência são elementos importantes, mas é o elenco que dá força à série. Com seus personagens presos durante o tempo quase inteiro em um único cenário, a trama se desenvolve quase como uma peça de teatro, em que os atores conduzem o enredo. Neste caso, o elenco multinacional é quase todo muito competente, apesar da óbvia inexperiência dos dois atores mais jovens, o japonês que interpreta Aki e a escocesa que vive a médica Maggie, um dos papéis centrais. Quando um dos desaparecidos é encontrado, tudo fica ainda mais complexo. Sua reconstrução dos eventos é absolutamente diferente da do outro sobrevivente. Johan, que conduz as entrevistas, fica cada vez mais aflito, já que (permita um pequeno spoiler) Annika, sua mulher, é a outra pessoa desaparecida e nenhum dos dois sobreviventes parece saber o que aconteceu com ela. Um acusa o outro de ser o culpado pelas mortes. "The Head" é obra de dois irmãos espanhóis, Álex e David Pastor, e procura pegar carona em ao menos três subgêneros de muito sucesso nos últimos tempos no streaming pandêmico: o nórdico noir, que tem um dos principais expoentes em "The Killing", o suspense criminal espanhol, cujo campeão de popularidade é justamente "Casa de Papel", de onde saiu o ator Álvaro Morte, e séries que têm como cenário paisagens em condições extremas da natureza, como "Trapped". Aliás, dos três, a série a que esta paga mais tributo é "Trapped", que também trata da investigação de um crime ocorrido em um lugar remoto, gelado e de difícil acesso. Em "The Head", a história é contada de maneira que fica quase impossível deixar de ver o seriado até o fim, uma vez que se assiste ao cativante primeiro episódio. THE HEAD Onde: Disponível na Globoplay Classificação: 16 anos Elenco: Alexandre Willaume, Tom Lawrence, Tomohisa Yamashita, Laura Bach, Álvaro Morte, Katharine ODonnelly, John Lynch Produção: Espanha, Suécia, 2020 Roteiro: David Pastor, Àlex Pastor Avaliação: Bom
