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Andréa G. Ribeiro

Quando a disputa entre profissões de saúde encontra a bioética

Andréa G. Ribeiro
Por Andréa G. Ribeiro
28/08/2026 20h06 — em Andréa G. Ribeiro

Em meio às discussões envolvendo Medicina e Odontologia, uma questão merece reflexão: onde entra a bioética quando diferentes profissões da saúde discutem suas competências, seus espaços de atuação e os limites de suas práticas?

Há uma pergunta que deveria aparecer antes de qualquer discussão entre profissionais da saúde: quem está sendo protegido nessa disputa? o paciente ou o próprio interesse profissional?

Nos últimos tempos, discussões envolvendo Medicina e Odontologia têm mostrado que os limites entre profissões da saúde podem gerar muito mais do que divergências técnicas. Podem produzir conflitos institucionais, discursos de desqualificação e uma espécie de “guerra de territórios” que, quando ultrapassa determinados limites, deixa de ser apenas uma discussão profissional e passa a ser também uma questão de bioética.

A bioética não existe para escolher um lado. Ela existe para colocar o ser humano no centro da discussão. Princípios como autonomia, beneficência, não maleficência e justiça lembram que nenhuma profissão deve perder de vista aquilo que realmente importa: oferecer ao paciente um atendimento seguro, responsável e baseado em conhecimento científico.

Medicina e Odontologia possuem histórias, formações e campos de atuação próprios. É natural que existam áreas de interface, interpretações diferentes e até discordâncias sobre determinados procedimentos. O problema começa quando a divergência técnica se transforma em tentativa de deslegitimar o outro profissional.

Discordar é legítimo. Desqualificar, não.

Também existe uma dimensão ética nas relações entre colegas. O profissional da saúde não deveria utilizar sua posição, seu cargo ou sua influência institucional para criar um ambiente de hostilidade contra outra categoria. A defesa das próprias prerrogativas é legítima e necessária, mas precisa acontecer dentro dos limites da ética, do diálogo e das instituições democráticas.

Talvez o maior desafio contemporâneo seja justamente aprender a conviver com as fronteiras profissionais sem transformar essas fronteiras em muros. O paciente não enxerga a saúde como uma disputa entre conselhos profissionais. Ele simplesmente espera que os profissionais conversem, respeitem suas competências e façam o melhor por ele.

No fim, a pergunta mais importante não deveria ser “qual profissão pode mais?”, mas “qual conduta é mais ética, mais segura e mais benéfica para o paciente?”

Porque quando duas profissões da saúde entram em conflito, pode até existir uma vencedora no debate corporativo. Mas, se o paciente perder, todos nós perdemos

Andréa G. Ribeiro

Andréa G. Ribeiro

Advogada • Cirurgiã-Dentista • Especialista em Direito Médico, Odontológico e da Saúde • Conselheira do CRO-AM • Membro da Comissão de Ética do CRO-AM • Membro da Comissão de Direito Odontológico Nacional da ABA • Membro da Comissão da Mulher em Odontologia do Conselho Federal de Odontologia (CFO) • Membro da ALACA • Dama Comendadora Grã-Cruz da CBC • Escritora

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