Manaus/AM - A juíza Ana Paula Serizawa, da 4ª Vara Federal do Amazonas, condenou o ex-secretário de Saúde Wilson Alecrim a 13 anos de prisão por corrupção passiva devido a favorecimento de fraudes na pasta, investigada pela Operação Maus Caminhos.
Na denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal em abril de 2018, consta que, entre março de 2014 e setembro de 2016, Alecrim teria recebido R$ 133.500 mensais de Mouhamad Mustafá e da advogada Priscila Marcolino em troca da permissão da entrada do Instituto Novos Caminhos, gerido por Mustafá, e da continuidade das ações criminosas que funcionavam por meio da organização social.
Em depoimento, Priscila confessou os 25 pagamentos a Wilson Alecrim que, segundo a advogada, "tinham dois objetivos: recompensá-lo por seu papel decisivo na habilitação irregular do Instituto Novos Caminhos (...) e também para manter a ausência da fiscalização da Susam" em relação à atuação do Instituto.
"Mesmo após sua saída do cargo, os pagamentos seriam devidos enquanto perdurassem o contrato em retribuição aos 'serviços' prestados por WILSON LIMA (grifo original) à organização criminosa", destacou a juíza na decisão.
Alecrim exerceu o cargo de Secretário de Saúde entre julho de 2010 e junho de 2015. Foi preso na segunda fase da Operação Maus Caminhos, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal em dezembro de 2017.
Alecrim, Mustafá e Priscila foram condenados a pagar R$ 3,337.500 a título de reparação de danos. O valor refere-se ao total de propinas pagas pelo ex-secretário aos demais envolvidos no esquema. Mustafá e Prisicla foram condenados por corrupção ativa.
No depoimento concedido à juíza em 2019, Alecrim argumentou que assinou os documentos por cumprimento de ofício e que seu nome foi usado pelos acusados em conversas por mensagens.
A defesa de Mouhamad alega que as verbas públicas destinadas ao Instituto eram de origem exclusivamente estadual, "não existindo elementos probatórios que confirmassem a origem federal dos recursos repassados à referida organização social", conforme trecho da decisão.
Serizawa estabeleceu pena de quatorze anos e cinco meses de reclusão para Mustafá e sete anos e nove meses para Priscila. Os dois receberam pena por corrupção ativa.

