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Veneno de sapo Amazônico pirateado e patenteado em Israel e EUA

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O veneno do sapo verde ou phyllomedusa bicolor,  usado como remédio no vale do Juruá pelos índios katukina , já não pertence à Amazônia. Foi patenteado pelo menos por meia dúzia de empresas estrangeiras, como a norte-americana University of Kentucky Research Foundation (Lexington, KY); ZymoGenetics (Seattle, WA),  Mor,  Amram (Jerusalem, IL), Astra AB, IAF Biochem INT (CA) e Dainippon Pharmaceut Co Ltd.

O alerta é de  Paulo Jean, 36, que há oito anos aplica a vacina em Manaus, depois de um estágio de vários dias na mata de Novo Airão com um velho cacique de nome Luziaro.

Embora o phyllomedusa bicolor ocorra em quase todos os países da Amazônia, como as Guianas, Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia, Jean afirma que a cultura da vacina do sapo é própria dos Katukina – os únicos que até o momento têm o conhecimento dos efeitos terapêuticos da substância e o domínio de seu emprego.

“Não faz tempo que perdemos para os grandes grupos estrangeiros a andiroba a copaíba e o cupuaçu, que anos depois voltaram a ser amazônicos graças à interferência da Embaixada Brasileira”, lembra Jean. “Agora chegou a vez do kambô. Amanhã, o que haveremos de perder se tudo o que temos é pirateado no virar de cada dia”? indaga.

O veneno do sapo é considerado pelos Katukina, seringueiros e, mais recentemente, por alguns curandeiros da cidade de Cruzeiro do Sul e Rio Branco, no Acre, medicinal para vários problemas de saúde, embora não exista comprovação científica da efetividade do seu uso.
 
No Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), por exemplo, tudo o que se refere ao veneno do sapo quanto à sua ação terapêutica é visto com reserva. A informação é de que não existe notícia de que a química dessa substância seja do domínio da pesquisa. Tudo o que se sabe é que o veneno   é   alucinógeno, comumente usado entre os Katukina.

A vacina do sapo é considerada um remédio para muitos males pelas populações tradicionais do vale do Juruá

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