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TRF1 autoriza exploração de potássio em Autazes após validar consulta aos Mura

TRF1 autoriza exploração de potássio em Autazes após validar consulta aos Mura
TRF1 autoriza exploração de potássio em Autazes após validar consulta aos Mura

Manaus/AM - O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, publicou nesta sexta-feira (6) o acórdão que valida a consulta feita com os indígenas Mura, em Autazes, no Amazonas, e autoriza o avanço do Projeto Potássio Autazes. A decisão, tomada por maioria na Sexta Turma, reconhece a competência do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para o licenciamento ambiental e afasta a exigência de autorização do Congresso Nacional, por se tratar de área ainda não demarcada como terra indígena.

A consulta foi conduzida pelo Conselho Indígena Mura (CIM) e contou com representantes de 46 aldeias, sendo que mais de 60% apoiaram o projeto de exploração de silvinita — minério usado na produção de potássio. Apesar disso, um grupo de indígenas afirma ter sido excluído do processo e denuncia pressões da empresa envolvida. O relator, desembargador Flávio Jardim, reconheceu a importância de ouvir os não consultados, mas considerou que sua discordância não impede o andamento da iniciativa.

"Não parecem existir argumentos que possam permitir, ao menos em sede de cognição sumária, que a consulta realizada ao povo CIM não tenha sido efetuada com boa fé e de maneira apropriada às circunstâncias", afirmou o Flávio Jardim em seu voto.

O Ministério Público Federal (MPF) defendia que o licenciamento fosse analisado pelo Ibama, uma vez que envolve terras indígenas, mas os desembargadores decidiram manter a competência do Ipaam, dado que a área em questão está fora de territórios oficialmente demarcados. Segundo o Ipaam, o projeto fica a 8 km da terra indígena mais próxima. A União e o Ibama reforçaram que o empreendimento é estratégico para o país e está fora de sua jurisdição direta.

O Projeto Potássio Autazes, localizado a cerca de 120 km de Manaus, tem potencial para suprir até 25% da demanda nacional de potássio por mais de 30 anos. O Brasil atualmente importa cerca de 95% do fertilizante. O governo federal destacou no processo a importância do projeto diante das restrições de mercado causadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia e pelas sanções à Bielorrússia, dois dos maiores produtores mundiais do insumo.

A empresa Potássio do Brasil tenta licenciar o projeto desde 2015, enfrentando disputas judiciais e resistência de lideranças indígenas. Com a nova decisão judicial, o caminho está aberto para a continuidade da iniciativa, embora ainda dependa de novos estudos e etapas legais antes do início da operação.

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