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Transporte coletivo em Iranduba está à beira do colapso por falta de subsídio e descaso público, alerta advogada

Transporte coletivo em Iranduba está à beira do colapso por falta de subsídio e descaso público, alerta advogada
Foto: Jander Robson / Portal do Holanda

Manaus/AM - O sistema de transporte coletivo do município de Iranduba, região metropolitana de Manaus, enfrenta uma crise e pode parar totalmente a qualquer momento. O alerta é da advogada Kalina Cohen, representante da única empresa de ônibus que ainda opera na cidade. Segundo ela, o setor vive um estado de calamidade pública decorrente do endividamento financeiro, do avanço do transporte clandestino e da "ausência de vontade política" da prefeitura local.

Moradores da região relatam o abandono. Usuários como o aposentado Teixeira, de 79 anos, criticam a longa espera e a escassez de veículos: segundo ele, restaram apenas dois coletivos em circulação para cobrir as rotas. Outro morador, S. da Silva, de 69 anos, lamenta a degradação da infraestrutura, apontando que os passageiros são obrigados a aguardar os ônibus em paradas sem teto, expostos ao sol e à chuva, ou a buscar abrigo em comércios vizinhos.

De acordo com Kalina Cohen, o declínio do sistema começou em 2018 com a migração de passageiros para aplicativos, vans e táxis de lotação — estes últimos operando em quantidade exorbitante e sem fiscalização municipal. O cenário se agravou drasticamente com a pandemia da Covid-19 e, recentemente, com o aumento expressivo no preço do óleo diesel.

A advogada explica que o modelo financeiro atual tornou-se insustentável porque a empresa é obrigada a arcar sozinha com os custos das meias-passagens garantidas por lei a estudantes, idosos e pessoas com deficiência (PCDs).

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"Os táxis de lotação saem um pouco antes do ônibus e fazem o mesmo trajeto, mas só levam os passageiros pagantes. Os idosos e estudantes ficam na parada. Hoje, a maioria que a gente transporta é gratuidade, onde eles pagam metade e a empresa assume a outra metade. A situação chegou a um ponto de insustentabilidade", afirmou Cohen.

A empresa alega que vem buscando interlocução com a prefeitura, o governo estadual e deputados desde o período da pandemia para a implementação de um subsídio tarifário, mas não obteve resposta. Cohen cita o exemplo de Manaus, onde convênios entre a prefeitura e o governo injetam recursos no sistema para custear o Passe Livre Estudantil e permitir a renovação da frota.

"Aqui em Manaus, houve vontade política do prefeito de isentar os estudantes. Lá o prefeito não quis saber do transporte, ele fez de conta que o transporte não existe. Então as paradas de ônibus totalmente... a gente não tem um terminal no Iranduba. O nosso ônibus sai de uma taberna lá, não tem um banheiro para o usuário utilizar", criticou a advogada, contrastando as duas realidades.

Sem receita, a empresa precisou contrair empréstimos bancários apenas para comprar o combustível do último mês e reduziu drasticamente as rotas e horários. Viagens que antes ocorriam a cada 15 minutos passaram a ser de hora em hora. Linhas deficitárias, como a da comunidade de Paricatuba e horários intermediários do Mutirão, foram extintas.

Com o fim da linha de Paricatuba, o impacto no bolso do cidadão foi imediato: moradores que antes pagavam R$ 14 no ônibus até Manaus agora desembolsam cerca de R$ 50 para fazer o mesmo trajeto integrando vans e outros transportes, sem direito a qualquer benefício de meia-passagem.

A crise foi tema de uma audiência pública recente no município, mas o debate evidenciou o isolamento político do setor. Segundo a representante, o prefeito não compareceu e não enviou nenhum emissário. Dos parlamentares locais, apenas três vereadores da oposição participaram do encontro.

"A gente fez um empréstimo agora para conseguir pagar o óleo diesel do último mês, porque a receita fica muito abaixo da despesa hoje. É uma bola de neve. Vai chegar uma hora, provavelmente esse mês ou no outro, que a gente vai dizer: 'Olha, tá aqui, a partir de hoje não tem mais transporte público no município de Iranduba'", desabafou Kalina.

A empresa, fundada há 43 anos, antes mesmo da emancipação de Iranduba, apela agora por uma união entre os moradores, os vereadores atuantes na causa e o governo do Estado para que a frota não seja totalmente recolhida nas próximas semanas.

"Se as autoridades legalmente eleitas do município — prefeito e vereadores — não olharem para os irandubenses, quem irá olhar? A cidade está jogada, largada às traças. O transporte público de Iranduba vai parar a qualquer momento por conta deste descaso", concluiu.

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