Manaus/AM – O sistema de transporte público de Iranduba está à beira de um colapso iminente. Essa foi a dura realidade constatada durante a audiência pública realizada na última quarta-feira, 20 de maio, na Câmara Municipal de Iranduba. Sem qualquer subsídio ou apoio por parte da Prefeitura, a população local enfrenta um cenário de isolamento e prejuízos diários, agravado pela omissão do poder executivo.
Desde o período da pandemia, o sistema vem sofrendo um desmonte gradual: rotas foram suprimidas, horários descontinuados e várias localidades perderam completamente o acesso aos ônibus sob a justificativa de inviabilidade econômica. Recentemente, a crise atingiu em cheio as comunidades de Paricatuba, Cachoeira do Castanho e Mutirão, que ficaram sem nenhuma linha de transporte coletivo.

Sem os ônibus, os moradores tornaram-se reféns de táxis lotações e transportes alternativos, que cobram valores altíssimos para realizar os deslocamentos até o centro do município ou à capital. A aposentada Idaliana de Souza Soares resume o sentimento de abandono da população:
"Nós estamos isolados. Nós estamos isolados, porque se nós quisermos sair para uma consulta, a gente tem que pagar táxi, porque o ônibus que passa é uma vez na vida e outra na morte. E quando passa, já passa cheio, não cabe mais ninguém."
Os maiores prejudicados pela falta de linhas regulares são os idosos, pessoas com deficiência (PCDs) e estudantes. A líder comunitária Rose Corrêa alertou para as graves consequências sociais do problema:
"A situação aqui é caótica. Nós temos estudantes que estão perdendo aula porque o transporte escolar não passa, ou quando passa, quebra no meio do caminho. Os trabalhadores também estão sendo prejudicados, chegando atrasados nos seus empregos por conta dessa falta de compromisso com o transporte da nossa cidade."

Como o transporte que liga Iranduba a Manaus é de caráter intermunicipal, idosos e PCDs enfrentam uma barreira legal: eles são obrigados a pagar metade do valor da passagem. A situação gera revolta, uma vez que na capital, Manaus, essas categorias têm direito à isenção total.
Durante a audiência, representantes estudantis e comunitários uniram forças para cobrar isonomia. Os estudantes reivindicaram a implantação do Passe Livre Estudantil (isenção total da passagem), nos mesmos moldes do que já é oferecido aos estudantes de Manaus. No cenário atual, os jovens perdem o direito até mesmo à meia-passagem, já que são obrigados a recorrer a transportes particulares devido à falta de frotas públicas.

A única empresa concessionária que ainda opera no município participou do debate e externou as severas dificuldades financeiras para manter os veículos rodando. De acordo com a empresa, a alta constante no preço do óleo diesel inviabiliza a operação sem um suporte financeiro governamental.
A concessionária afirmou categoricamente que a única saída para salvar o sistema de Iranduba da falência total seria a implementação de um subsídio tarifário — modelo que já é adotado com sucesso em Manaus e em diversas capitais e cidades do país, onde o governo ou a prefeitura custeiam parte da tarifa para não sufocar o usuário e garantir a saúde financeira do serviço.
Para que o subsídio saia do papel e as gratuidades sejam concedidas, é necessário um esforço conjunto e apoio político tanto da Prefeitura de Iranduba quanto do Governo do Estado do Amazonas. No parlamento municipal, os vereadores prometem endurecer a fiscalização.
A vereadora Larissa Gomes destacou a cobrança em cima do poder executivo e da concessionária:
"Nós estamos cobrando diuturnamente da prefeitura e da empresa responsável para que regularizem as frotas. A população não pode continuar pagando o pato por uma má gestão do transporte público. Já entramos com requerimentos e estamos aguardando uma resposta concreta, porque promessas nós já ouvimos muitas."
O vereador Nedy Júnior reforçou a necessidade de medidas drásticas caso o serviço não seja normalizado:
"É preciso que haja uma fiscalização rigorosa em cima do contrato que foi firmado com a empresa de transporte. Se eles não estão cumprindo com o horário e com a quantidade de ônibus que foi estabelecida, o contrato precisa ser revisto ou cancelado, e abrir uma nova licitação para quem realmente queira trabalhar e respeitar o povo de Iranduba."
Até o momento, a Prefeitura de Iranduba não apresentou nenhuma proposta concreta ou resposta aos requerimentos enviados pelos parlamentares e pelas lideranças locais, mantendo a população no escuro e sem perspectivas de melhoria a curto prazo.




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