Por Ana Celia Ossame, especial para Portal do Holanda
Após o registro de 13,19 metros do Rio Negro ocorrida hoje (20) em Manaus, a nova cota mínima histórica, sendo a mais baixa em 121 anos, a recuperação será atrasada e lenta, de acordo com pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB) no Boletim de Monitoramento Hidrológico da Bacia do Amazonas, onde foi divulgado os dados do acompanhamento.
Devido ao fenômeno El Niño, que provoca alteração nos padrões de chuva, a perspectiva é que os rios da Bacia do Rio Amazonas tenham subida atrasada e lenta, segundo informou o pesquisador em geociências do SGB, Marcus Suassuna.
De acordo com ele, com as chuvas registradas no Peru, o nível do Rio Solimões deve começar a subir nos próximos dias e a estação de Tabatinga será a primeira a sentir a recuperação. Mas ele adverte que as cotas gradualmente vão subir nas estações em Fonte Boa (AM), Itapeua (AM) e Manacapuru (AM). No Rio Negro, em Manaus, é possível que a descida dos rios siga por mais duas ou três semanas”, explicou.
A cota do Rio Negro baixou 10cm de ontem (19) para hoje (20) e está menos de 1 metro abaixo do que já é classificado como “seca extrema” e 14 centímetros menor do que o registrado na grande seca de 2010, que teve impactos drásticos na região, informa o boletim.
A cota mínima histórica também foi registrada ontem (19) no Rio Amazonas, em Itacoatiara: 90 centímetros. Na estação de Manacapuru, o Rio Solimões alcançou 3,61 metros - o nível mais baixo da história, superando a marca de 3,92 metros observada em 2010.
A projeção para o Rio Madeira é que o retorno a níveis dentro da normalidade não deve acontecer antes do final do mês de novembro, em razão do atraso e da fraca intensidade das chuvas nesse início de estação, de acordo com Suassuna.
A exemplo dos demais rios, o Madeira também atingiu níveis mínimos históricos na régua de Porto Velho no dia 8 de outubro, quando alcançou 1,10 metro. A cota esteve 30 centímetros abaixo da mínima histórica anterior, de 1,40 metro, observada em 2022. Ontem (19), o rio registrou 1,85 metro na estação de Porto Velho.
Em Manaus, uma vista da ponte Plácido de Castro, que liga o bairro de Educandos ao Centro de Manaus, dá a dimensão do fenômeno que causa uma das piores secas na Amazônia e deixa perplexa a população tanto na capital quanto no interior do Estado.
Alguns observam os níveis dos igarapés e do Rio Negro com preocupação. “Já vi seca outras vezes, mas agora parece estar pior porque o tempo está mais quente”, disse o aposentado José Carlos Araújo, 72, morador do bairro de Educandos, que passa o tempo olhando para o igarapé.
O Igarapé de Educandos, que no período das cheias dos rios no Amazonas alagou muitas casas, mesmo as erguidas sob o modelo das palafitas, está como se fosse um córrego. O Igarapé de Manaus, no Centro, é outro reduzido a um filete de água, após as obras do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim).

