Os resíduos vegetais gerados nas obras públicas do Governo serão, transformados em combustível nas olarias instaladas no Estado. A proposta foi desenhada através de um projeto piloto pelo Instituto de Proteção Ambiental do que identificou a necessidade de um descarte sustentável a esse tipo de resíduo e, ao mesmo tempo, atender a escassez de combustível nas olarias da região, evitando a extração ilegal desse material.
A alternativa, além de dar um “gás” ao polo oleiro amazonense que enfrenta dificuldades para encontrar o combustível legalmente, contempla a questão da sustentabilidade. “É uma oportunidade de reverter um cenário negativo em que as olarias estão passando por falta da madeira legalizada para alimentar suas fornalhas e ainda é uma solução para evitar o desperdício de resíduo vegetal nessas obras públicas”, avaliou o presidente do Ipaam, Ademir Stroski.
Na primeira fase do acordo selado entre o Estado e a iniciativa privada, na obra da Avenida das Flores, estão sendo extraídos cerca de 1.450m3 de lenha. Esse montante vai beneficiar cerca de 100 famílias de lenheiros que fazem o abastecimento do polo oleiro de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão.
Fora da clandestinidade – O aproveitamento da vegetação descartada nos locais de obra já regularizou 100 desses lenheiros que agora estão vinculados à Cooperativa Extrativista de Biomassa do Amazonas. Antes, o lenheiro Antônio Pinto, 52, trabalhava fazendo extrações clandestinas de madeira para transformar essa madeira não autorizada em pequenas toras e vender nas olarias. “O trabalho era arriscado e tinha que ser noturno para driblar a fiscalização”, disse Antônio, alegando que o ofício é herança herdada do pai.
Fora da clandestinidade, Antônio colabora para o descarte racional desses resíduos. Em tese, todo material vegetal descartado em obras fica sob a responsabilidade da empresa executora da mesma. Normalmente ou a empresa leva esses resíduos para um aterro de resíduos sólidos ou enterra o mesmo.
Projeto assegura 6 mil empregos nas olarias – A escassez de combustível em decorrência da fiscalização ambiental e de poucas áreas autorizadas para a extração de madeira estava deixando o setor à beira de um colapso, ameaçando cerca de 6 mil trabalhadores das olarias do Amazonas. A informação é do dono de olaria e diretor executivo da Associação dos Ceramistas do Amazonas, José Henrique Oliveira da Silva. Segundo ele, para não parar a produção de tijolo as empresas estavam apelando para os resíduos do Polo Industrial de Manaus , mas a alternativa não atendia a demanda das olarias a contento.

