Os processos judiciais contra o banco Bradesco dispararam 47% em 2022, se comparado ao ano anterior, segundo o Núcleo de Estatística do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). Especialistas do consumidor alertam sobre as práticas abusivas aplicadas pela instituição bancária.
De janeiro a dezembro de 2022 foram registrados 55,8 mil processos, enquanto no mesmo período de 2021, foram contabilizadas 37,8 mil. Cobranças indevidas de tarifas, perda e danos, empréstimos não solicitados e rescisão de contrato são alguns dos casos processados.
O Bradesco tem diversos processos que só crescem com os anos, tanto na capital como no interior. Para o presidente da Associação dos Advogados Defensores do Consumidor Amazonense (AADCAM), Nicolas Gomes, o aumento de ações judiciais se deve às comissões e órgãos de controle e defesa do consumidor.
“Esses órgãos desempenham um papel de informação muito importante e a população informada está sempre buscando seus direitos. Nós temos um aumento não só da população, como também dos advogados todos os anos, então são mais pessoas que conhecem pessoas que estão sendo ‘lesadas’ e isso reflete no aumento das demandas, principalmente com o banco Bradesco, que tem convênio hoje com o governo e a prefeitura, ou seja, os servidores públicos recebem seus salários pelo banco Bradesco, logo é o banco mais demandado”, declara.
Punição severa aos bancos
Segundo Nicolas, são necessárias punições mais severas para as instituições bancárias. “Os bancos vão sentir apenas quando ‘doer no bolso’, não só com as multas dos órgãos de proteção, como também com as condenações que deveriam estar em patamares mais elevados e condizentes com a inflação e o aumento do salário mínimo, a fim de que qualquer prática abusiva seja severamente reprimida”.
O presidente Valderli segue com o mesmo pensamento, de acordo com ele, haverá agilidade nos processos quando as sentenças de fato compensarem os consumidores pela lesão cometida por parte dos bancos e instituições financeiras, punindo-os e prevenindo novas práticas do mesmo tipo. “A maioria dos golpes bancários são resolvidos nos Juizados Especiais e estes já estão assoberbados, mas esse não deve ser um impasse para os consumidores buscarem os seus direitos. Quando deixar de doer no bolso do consumidor e começar a doer nos cofres dos bancos, essas práticas abusivas diminuirão”.
Outro lado
Em nota, por meio de assessoria, o banco respondeu que “tem como um dos seus principais valores a qualidade de atendimento aos seus clientes”. E que “trabalha para atender a todos os seus públicos e que promove o aprimoramento constante de seus serviços e produtos, tendo sempre como princípio a adoção das melhores práticas e procedimentos”.

