Manaus/AM - A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) formou 34 professores indígenas no curso Pedagogia Intercultural, na região do Vale do Javari, no oeste do Amazonas. A outorga de grau ocorreu na última semana, no município de Atalaia do Norte. A UEA é a primeira universidade do país a oferecer esse tipo de formação.
Os formandos pertencem às etnias Marubo, Matis, Matses e Kanamari, espalhadas pela terra indígena do Vale do Javari, localizada na região da tríplice fronteira – Brasil, Peru e Colômbia –, onde vive o maior número de grupos indígenas em situação de isolamento voluntário do mundo.
A cerimônia de colação de grau, que reuniu formandos, seus familiares e professores, aconteceu no ginásio Professor Lucival Brotas, e contou também com a presença do prefeito de Atalaia do Norte, Dênis de Paiva; e da coordenadora regional substituta da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mislene Mendes; dentre outros representantes da sociedade civil.
Etnias e a educação
Os professores indígenas das etnias Marubo, Matis, Matses e Kanamari são povos que tiveram o contato com a sociedade nacional intensificado a partir da década de 1970. A escolarização desses povos teve início a partir do final da década de 1980.
Na década de 1990, começou a ser ofertado o curso de formação em níveis fundamental e médio, oferecido pela Secretaria de Estado da Educação e do Desporto. Naquele período, os alunos tiveram suas formações interrompidas por conta de uma pandemia de Cólera e Hepatite Delta que afetou todo o território do Vale do Javari.
Durante a pandemia de Covid-19, na última etapa antes do encerramento do curso de nível superior, as aulas foram suspensas em respeito às medidas de biossegurança. Neste período, o curso esteve em luto pela perda do aluno Benedito Marubo, o primeiro professor indígena de seu povo e sábio conhecedor do Vale do Javari.







