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Presidente Figueiredo na rota de locais com risco de rompimento de barragem

Presidente Figueiredo na rota de locais com risco de rompimento de barragem
Presidente Figueiredo na rota de locais com risco de rompimento de barragem

Entre as mais de 900 barragens de mineração existentes no Brasil, que deixam pelo menos 700 áreas vulneráveis em 179 cidades a acidentes como os ocorridos em áreas de exploração mineral em Minas Gerais, está a área indígena do povo waimiri atroari, no município de Presidente Figueiredo, a 107 quilômetros de Manaus.

Em levantamento publicado pelo site Repórter Brasil, a área waimiri-atroari foi destaque entre as centenas de áreas vulneráveis a acidentes como o ocorrido na cidade de Mariana (MG), que no ano de 2015 deixou  18 mortos e em Brumadinho, no mesmo estado, em 2019, que foi o maior acidente até essa data, vitimando 272 pessoas, além da contaminar as águas e o solo com dejetos químicos.

Sobre as barragens na área dos waimiri atroari existe um inquérito civil de nº 1.13.000.001050/2021-33, instaurado no ano de 2021 para apurar possíveis irregularidades nas atividades da Empresa Mineração Taboca, após a suspeita de possível contaminação por rejeitos de mineração do Igarapé Jacutinga e nos Rios Tiaraju e Alalaú no interior da Terra Indígena Waimiri Atroari, sob alegada responsabilidade da empresa, segundo informou o Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM).

O MPF chegou a expedir uma recomendação para a suspensão imediata da deposição de quaisquer rejeitos, sólidos ou líquidos, bem como de quaisquer lançamentos de substâncias de qualquer natureza, nas barragens/lagoas extravasadas e em qualquer outra próxima a estas.

À ação, a empresa Mineração Taboca S.A afirmando, por meio de petição eletrônica, acatar a recomendação, em relação ao atendimento aos itens a, b e c da recomendação do MPF-AM, mas assegurou não haver problemas de instabilidade das barragens, que à época foram impactadas por fortes e torrenciais chuvas ocorridas naquele período.

A empresa garantiu que todas as estruturas estavam com as Declarações de Condições de Estabilidade (DCEs) válidas e não há indicativo técnico ou operacional de que a turbidez identificada tenha origem causal ou factual nas suas operações.

O MPF, por sua vez, informou que o inquérito civil segue em andamento e que havia expedidos ofícios tanto ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) quanto à Mineração Taboca S/A visando obter esclarecimentos complementares, especialmente quanto aos aspectos fáticos e jurídicos que motivaram a autorização da atividade minerária em local próximo à Terra Indígena Waimiri Atroari, além das providências adotadas pelo Ipaam e pela empresa.

Programa Waimiri Atroari

Assessoria jurídica do Programa Waimiri Atroari (PWA), informou, pelo seu advogado Harilson Araújo, que a comunidade não tem acesso às dependências da mineradora e que o dever de fiscalizar essas questões é dos órgãos ambientais.

O advogado explicou que a comunidade somente faz fiscalização da área que diz respeito aos limites da terra indígena e, quando constatada alguma alteração, faz as devidas comunicações à Fundação Nacional do Índio (Funai), Ministério Público Federal (MPF), Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Ibama) e Ipaam.

Em 2021, segundo Harilson, indígenas denunciaram a contaminação do rios associada a vazamentos em seis estruturas locais, que deixaram a  água com aspecto turvo e cheiro desagradável, além de causar morte de peixes e tartarugas.

Nos últimos meses, no entanto, os indígenas não têm notado alterações nas águas.

 

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