AMAZONAS - José Bernardes Sobrinho, presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), convocou recentemente uma coletiva de imprensa para dizer que a saúde no Amazonas vive a “pior situação dos últimos 30 anos”. A declaração no entanto gerou revolta entre vários médicos do Amazonas que relataram ao Portal do Holanda que Sobrinho quer usar o CRM e a declaração para fazer negócios.
Conforme documentos enviados, o presidente do CRM é sócio/dono da empresa Univasc União Vascular de Serviços Médicos LTDA. A empresa sobrevive de contratos milionários com o governo do Amazonas e teve um de seus momentos mais prósperos durante os governos de José Melo, preso sob acusações relacionadas a operação Maus Caminhos (que investiga desvios na saúde) e de David Almeida, que assumiu o governo de forma interina em 2017.

Nesse período a Univasc, de propriedade do presidente do Conselho Regional de Medicina, faturou mais de 7,2 milhões que deveriam ser aplicados para consultas e atendimentos médicos de qualidade. “Quando Sobrinho diz que a saúde vive seu pior momento, ele confessa que não prestou o serviço que foi pago para realizar ”, desabafou um dos médicos sob condição de anonimato.

Em média cada repasse girava em torno de 680 mil reais. Outros dois passaram da casa do milhão: R$ 1,9 milhão e 1,3 milhão.
O Ministério Público deverá mirar a Univasc para entender como ela contribuiu para piorar o serviço de saúde no Amazonas, assim como qualquer suspeita de tráfico de influência na saúde como um todo.



