PGR avalia pedido de intervenção federal no Estado devido às queimadas
Por Ana Celia Ossame, especial para Portal do Holanda
Um pedido de intervenção federal no Estado devido aos efeitos da forte estiagem causada pelo registro de cerca de 7 mil focos de queimadas no último mês de setembro e que continuam neste mês de outubro, está sendo analisado pela Procuradoria Geral da República (PGR) após proposição da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM).
De acordo com a Defensoria, a fumaça causada pelas queimadas serve de alerta para uma provável nova crise de oxigênio tão grave quanto a ocorrida em 2021 e exige ações estruturantes do Governo Federal diante do que define como “atuação flagrantemente omissiva” por parte do Estado.
Após o registro de mais de 11,7 mil focos de queimadas de janeiro a setembro deste e ano e de mais de 4 mil focos primeiros dias de setembro passado, o Governo do Estado do Amazonas decretou estado de emergência ambiental, com a destinação de R$ 1,1 milhão para remuneração de brigadistas e articulação de diversos órgãos ambientais.
Mas nenhuma dessas medidas tem sido suficiente para reduzir o volume de queimadas e incêndios florestais, pois o estado completou o mês de setembro/2023 com indicação de quase 7.000 focos de calor – sendo este o segundo pior quantitativo já 4 registrado desde 1998, em comparação ao mesmo período de anos anteriores.
Somente nos primeiros dez dias de outubro foram registrados 2.684 focos de calor, recorde histórico no estado e que supera em 78% o número de queimadas registradas para o mesmo período de 2022 .
Na petição feita pela DPE-AM à PGR é destacado que os eventos transcorridos em toda a extensão territorial do estado não podem ser atribuídos exclusivamente à estiagem provocada pelo tradicional verão amazônico, e tampouco ao fenômeno climático do El Niño.
Na verdade, há uma miríade de fatores interligados, que vão desde a perda da vegetação por desmatamento, que resulta na transformação da paisagem de floresta para trechos agrícolas/pecuários, até condições temporais (como o alongamento do período de estiagem), que tornam o ambiente propício à propagação de incêndios provocados por humanos.
Ocorre que tais fatores são exacerbados diante da ausência de ações estruturantes por parte do governo do Amazonas, circunstância que contribui para o aumento das queimadas, pontua o órgão estadual, que prossegue apontando o fato de Manaus ter chegado ao topo do ranking das cidades com pior qualidade de ar do mundo devido à fumaça.
Ontem, quarta-feira (11), Manaus registrou a terceira pior qualidade do ar do mundo, de acordo com o World Air Quality Index (WAQI). O índice, que mostra a qualidade do ar em tempo real em diversas localizações, atribuiu a classificação mais alta de risco à saúde.
Às 12h50, Manaus registrava 387 microgramas de poluentes por metro cúbico, o que indica que todos os moradores da cidade estão sujeitos a efeitos sérios na saúde, pois em determinado momento, respirar em Manaus chegou a ser considerado “perigoso” em uma escala de poluição que considera como ar de boa qualidade aquele com níveis de até 50 up/m³, e de qualidade perigosa os níveis a partir de 300 up/m³, a cidade chegou a registrar 459 up/m³.
Outro item citado na petição informa que a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) divulgou portaria autorizando a substituição das aulas presenciais pelo modelo remoto.
Ao explicar que é uma providência extrema, mas necessária porque tais incêndios têm impactos diretos no sistema respiratório e cardiovascular das pessoas, assim como afetam os animais e a perda do habitat, a Defensoria Pública pede que a PGR solicite a intervenção federal no Estado para garantir não só o direito à saúde da população, mas também que sejam determinadas medidas efetivas para reduzir o volume de queimadas e incêndios florestais que afetam praticamente todos os municípios do Estado.
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