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Pesquisa estuda impactos na transmissão de Doença de Chagas no Amazonas

Pesquisa estuda impactos na transmissão de Doença de Chagas no Amazonas
Pesquisa estuda impactos na transmissão de Doença de Chagas no Amazonas

O impacto do desmatamento na diversidade e nos ciclos de transmissão de parasitas tripanossomatídeos, entre os quais os causadores da Doença de Chagas e da Leishmaniose, ambas doenças endêmicas da Amazônia, serão alvos de estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no município de Presidente Figueiredo.

Uma expedição realizada na Base de Pesquisa Rio Pardo, no município, trouxe evidências de que novas espécies de vetores e reservatórios do parasita estejam fazendo parte do ciclo de transmissão das doenças tripanossômicas na região, entre eles os coretrelas, família de insetos hematófagos pouco conhecida que pica exclusivamente sapos, e que está envolvida na transmissão desses parasitos.

No Amazonas, até o último dia 15 de maio deste ano, haviam oito casos confirmados de Doença de Chagas. A Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosamary Costa Pinto (FVS-RCP) chegou a divulgar uma nota técnica conjunta com orientações para as unidades de saúde nos municípios. No ano de 2022, foram 54 casos confirmados da doença no Amazonas.

O estudo, que será feito por meio do Edital Inovação Amazônia, do Programa Inova Fiocruz, e Edital Kunhã, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), 

No projeto, também são estudados os tripanossomatídeos que infectam sapos, lagartos, pequenos roedores e mamíferos de porte médio, como marsupiais (gambás) e os insetos que os transmitem.

Coordenado pelos pesquisadores da Fiocruz Amazônia Felipe Arley Costa Pessoa e Claudia Maria Ríos-Velasquez, ambos biólogos com doutorado em Entomologia e membros do Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA), o estudo conta com uma equipe de 15 pessoas e passou 17 dias na área, realizando coletas de campo e dá  continuidade a uma série de estudos que vêm sendo desenvolvidos desde 2007 na região de Rio Pardo. 

Felipe explica que com esse trabalho contínuo está sendo possível analisar o processo de desmatamento e ocupação do solo ocorrido naquela região e o reflexo no ciclo das doenças que são transmitidas no local. Segundo ele, no caso dos tripanossomatídeos, os mais frequentes que causam doenças em humanos são o da leishmaniose tegumentar – doença infecciosa que acomete o homem e provoca úlceras na pele e mucosas das vias áreas superiores.

O estudo conta com a colaboração da Fiocruz Ceará, Museu Nacional do Rio de Janeiro, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado. 

A Base de Pesquisa Rio Pardo, em Presidente Figueiredo, está situada numa área de assentamento rural, onde há focos de desmatamento e trechos florestados, muito próximos um do outro.

No Rio Pardo, pelo menos 20 novas espécies de insetos foram descobertas ao longo das pesquisas e também 10 morfótipos que vão se tornar dez espécies novas, que também serão incluídas no estudo. O objetivo é saber como se comportam tanto no ambiente de floresta como em área de ocupação humana. Inicialmente iremos descrevê-los, dar nome para eles e em seguida realizaremos a identificação dos parasitos que transmitem. 

*Com informações da assessoria da Fiocruz

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