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Perda acelerada de superfície de água pode afetar chuvas na Amazônia

Perda acelerada de superfície de água pode afetar chuvas na Amazônia
Perda acelerada de superfície de água pode afetar chuvas na Amazônia

Manaus/AM - A perda de quase 16% de superfície de água nos últimos 20 anos no país, o equivalente a 3,1 milhões de hectares, segundo o relatório do Mapeamento Anual da Cobertura dos Solos (MapBiomas), pode gerar um processo de seca, com impacto direto nas chuvas da Amazônia.

O alerta é do coordenador do MapBiomas, engenheiro florestal Tasso Azevedo, que participou de uma live no Jornal O Valor, ontem, segunda-feira (7).

De acordo com os dados do relatório do MapBiomas Água, produzidos com mapeamento feito usando imagens de satélite e com a ajuda de inteligência artificial, no total, a região do Pantanal já perdeu 74% da superfície de água.

O mapeamento analisou a dinâmica da água superficial e de corpos hídricos no território nacional de mais de 150 mil imagens geradas por satélites Landsat. As áreas cobertas por água foram observadas em cada pixel de 30m x 30m dos mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados do Brasil.

Os cientistas ficaram tão incrédulos diante dos números apresentados que refizeram cálculos e análises para ter certeza do que o percentual mostrava.

Dos seis biomas brasileiros, o do Pantanal foi o que apresentou maior perda de água, com cerca de 68% do total de hectares, enquanto a caatinga perdeu 15%, a Amazônia, 13%, a Mata Atlântica, 4,6% e o Pampa, 0,4%. Nos últimos 10 anos, segundo especialistas, a seca vem se agravando de forma intensa.

A seca nessas regiões aumenta as chances de incêndios, porque a vegetação e a matéria orgânica vão ficando cada vez mais secas, colaborando para o alastramento dos incêndios, observa.

De acordo com Tasso, em entrevista à “Folha”, a situação no pantanal é diretamente afetada pelas mudanças climáticas e pelo desmatamento da Amazônia.
 
“Antes a gente tinha muito receio de falar isso, mas eu não tenho mais dúvida. O desmatamento na Amazônia está reduzindo a quantidade de água na própria Amazônia e no Centro-Sul”, afirmou.

Para Tasso, o país está em uma trajetória em que não há nenhum elemento para voltar ao que era antes. “As condições estão dadas para perdermos mais água. É possível que estejamos criando as condições para acabar com o recurso”, alerta.

 

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