Pandemia reinventa profissionais para lecionar na rede estadual do Amazonas

Por Portal do Holanda

15/10/2020 13h58 — em Amazonas

Ferramentas digitais fizeram a diferença na pandemia - Fotos: Lincoln Ferreira/Seduc-AM

Manaus/AM - A pandemia do novo coronavírus (covid-19) teve impactos severos em diversas esferas do dia a dia - e a educação não ficou de fora. Salas de aula cheias, hora do recreio e demais atividades que compunham a rotina escolar deixaram de existir, temporariamente, com a suspensão das aulas presenciais da rede pública estadual em março deste ano. 

A decisão, uma das inúmeras de combate à doença, desenhou uma nova realidade para milhares de professores do Amazonas, profissão homenageada, nacionalmente, nesta quinta-feira (15/10).

Aliados às transmissões do projeto "Aula em Casa", os educadores tiveram de se reinventar para garantir um bom ano letivo a seus alunos. As ferramentas digitais, por exemplo, deixaram de ser vistas com maus olhos e passaram a desempenhar papel fundamental nas atividades remotas. Rodrigo Bonifácio de Souza Pavani, de 30 anos, foi um dos professores que se rendeu às vantagens do universo virtual.

Ele, que leciona Sociologia nas escolas estaduais Ângelo Ramazzotti e Adelaide Tavares de Macêdo, afirma que o uso das ferramentas digitais com finalidade educacional é algo relativamente novo. "A metodologia de ensino híbrido mediado por tecnologia da informação impõe novos desafios, tanto para professores como para alunos. As tecnologias digitais possuem uma gramática estranha aos métodos tradicionais baseados na concepção do professor como único ilustrado ou detentor de um conhecimento singular. Percebo que muitos professores ainda são influenciados por modelos avaliativos fechados e focados unicamente no conteúdo", disse Rodrigo.

Assim como a Internet apresentou novas possibilidades para os professores e estudantes da rede, ela trouxe, também, novas responsabilidades, como compromisso e protagonismo político no processo de ensino-aprendizagem, defende Rodrigo. "Os alunos estão muito familiarizados com as redes sociais, porém, quase nunca utilizaram essas ferramentas com uma intenção pedagógica e educacional. Percebemos que muitos nunca tinham aberto um arquivo PDF em seus celulares, por exemplo, pois não possuíam um aplicativo de leitor. Alguns demonstravam dificuldade em anexar um arquivo DOCX ou PDF no WhatsApp e vários ainda não possuíam uma conta de e-mail funcional, com acesso diário. As dificuldades com as plataformas virtuais não eram preocupações somente dos professores", revelou.

Durante os meses que sucederam a suspensão das aulas presenciais, o educador se utilizou, principalmente, das ferramentas Zoom e Meet, para realização de videoconferências. "Dei aula para uma audiência de 100 alunos. Assustador! Mas divertido. O WhatsApp é o queridinho de todos. Como controlar as figurinhas e os memes? Se não pode vencê-los, junte-se a eles. Planeje um trabalho sobre representações sociais e produção de novas narrativas. Foi isso que eu fiz. O Google ClassRoom foi o ambiente virtual para recebimento e entrega de atividades", indicou.