De 2020 até o primeiro trimestre deste ano, houve mais de 168,3 mil procedimentos relacionados a pacientes dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em Manaus, destinados a pessoa em crise com transtornos mentais graves e persistentes.
Já aqueles com crise de ansiedade e depressão leve podem ser levados à unidade de Atenção Primária em Saúde (APS).
Essas unidades, que compõem a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), têm conseguido fazer um atendimento importante de saúde mental, garante a psicóloga Jeane Leite, chefe da Divisão de Rede de Atenção Psicossocial da secretaria.
Mesmo com a pandemia, nos dois últimos anos, segundo ela, os atendimentos nos Caps se mantiveram relativamente estáveis, com aumento de 5% em um ano e redução de 2% em outro. Mas ela lembra que a comparação histórica é prejudicada pelo fato de 2020 e 2021 terem sido anos atípicos, em razão da pandemia de Covid-19.
Quanto aos procedimentos, ela explica que contabilizam todos os atos relacionados ao atendimento dos pacientes. “A pandemia trouxe quadros de ansiedade, depressão e outros mais graves”, explica a especialista, destacando que a capacitação em psiquiatria para médicos clínicos que atendem nas APS, foi importante para a identificação dos quadros.
Após essa capacitação, houve um aumento do número de diagnósticos de pessoas com transtornos mentais nas APS, que é a unidade onde podem ser atendidos os casos de baixa complexidade, como crise de ansiedade, depressão e transtorno mental estável.
Se o atendimento ultrapassa os limites da área clínica, como Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) ou Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o caso é referenciado para uma unidade de média complexidade, que são as policlínicas. Se ultrapassa esses limites, vai para os Caps.
Agora, quando a pessoa está numa crise em que oferece risco de morte para si ou a outros, o atendimento de urgência e emergência, deve ser feito no Centro de Saúde Mental do Amazonas (Cesmam), situado na avenida Desembargador João Machado, onde funcionava o Centro de Atenção Integral à Criança (Caic) Rubim de Sá. Nesse local, o paciente fica no máximo 72h e, após a medicação, volta para o atendimento da rede.
Na capital, a RAPS dispõe de cinco unidades de Caps, um exclusivo para adultos com problemas de álcool e drogas, dois para o atendimento de adultos com transtornos mentais e dois para atendimento de crianças e adolescentes com transtornos mentais ou com problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas.
A articulação da rede de atendimento mantém o paciente vinculado à unidade de APS, apesar de o usuário poder acessar outras Unidades de Saúde pertencentes à Rede de Atenção Psicossocial. Para suprir a demanda de assistência psicológica durante a pandemia, foi oferecido atendimento psicológico online pelos psicólogos das policlínicas.
Um dado importante é que para ser atendido num Caps, a pessoa não precisa agendar ou de encaminhamento. Esse atendimento é feito de 2ª a 6ª feira, das 8h às 17h, com a unidade mantendo profissional de plantão para acolhimento inicial, a fim de identificar se o paciente irá prosseguir com o acompanhamento no CAPS ou se será direcionado para atendimento em outros pontos da rede de saúde mental.
No caso de pessoas com transtornos mentais graves que estejam transitando nas ruas, com comportamento que ofereça risco de vida a si ou a outras pessoas, o Samu (192) pode ser acionado para fazer o primeiro atendimento emergencial.

