O CNJ identificou nepotismo e uma rede de proteção a politicos na justiça do Amazonas. Não é um fato novo para um tribunal que depende dos politicos para funcionar. Nos últimos meses, o Poder Legislativo cedeu parte de seu orçamento para a corte fazer frente a despesas com pessoal. Sem independência financeira não se pode esperar da justiça resistência à exigência de contrapartidas ao poder político. Nada é dado de graça.
O CNJ também peca por adotar dois pesos e duas medidas em algumas de suas decisões. No caso envolvendo o prefeito Adail Pinheiro, por exemplo, colocou dois juizes no estaleiro, entre eles Hugo Levy, apressou a demissão de um funcionário de carreira ( Adriano Salan) , mas absolveu uma juíza que pedia favores à prefeitura do municipio. O que prevaleceu aí foi uma poderosa rede de influência política da qual nem o Conselho Nacional de Justiça parece estar imune. Então, o que se esperar de um tribunal amarrado a favores financeiros, sem os quais faltaria tinta para impressora ?
Não é o juiz que recebe propina para proteger políticos. É o tribunal, que pela sua falta de independência financeira se submete a receber favores. Há bons juizes - e estes são a maioria - mas estão numa casa doente e com grande risco de serem contaminados. Sobre esse problema o CNJ não pode fechar os olhos ( Raimundo Holanda)
