Pesquisas recentes confirmam a desigualdade existente quando o assunto é renda e salários entre homens e mulheres. No Amazonas, o índice é confirmado por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Segundo os dados, as mulheres têm renda 9,5% menor que a dos homens. Enquanto eles preenchem 62,9% dos postos de trabalho, elas ocupam apenas 37,1%. Uma realidade que mostra claramente que além dos salários serem menores, o mercado de trabalho ainda é escasso para o sexo feminino.
De acordo com pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro e Geografia e Estatística (IBGE) 2017, no Brasil, comparado a 100% do rendimento dos homens, as mulheres ganham, em média, 76,5%, mesmo com um nível educacional mais alto. Uma diferença de 23,5%. Combinando-se as horas de trabalhos remunerados com as de cuidados e afazeres, a mulher trabalha, em média, 54,4 horas semanais, contra 51,4 dos homens.
No ano de 2016, as mulheres de 15 a 17 anos de idade tinham frequência escolar líquida (proporção de pessoas que frequentam escola no nível de ensino adequado a sua faixa etária) de 73,5% para o ensino médio, contra 63,2% dos homens.
Especialista acredita que isso pode mudar em breve
Apesar dos números ainda serem extremamente assustadores, muitos empresários dizem não tratar com desigualdade e afirmam que os salários entre os sexos estão cada vez mais se igualando.
Segundo o professor e coordenador do curso de gestão de negócios do Instituto de Pós-Graduação e Graduação - IPOG, Camilo Cotrim, estamos vivendo uma transformação cultural. As mulheres estão buscando cada vez mais aperfeiçoamento em suas áreas de atuação e buscando aprimorar suas competências muito mais do que os homens.
“Eu estou bem otimista, penso que daqui a pouco tempo essa realidade de desigualdade deverá mudar. Digo isso pois no curso que dou aula o número de alunas cresce em todas as turmas, o interesse pela qualificação profissional pode ser a chave e o caminho para que as rendas sejam igualadas. O tempo de machismo e descriminação já foi”, relatou o professor.
Culpa da Crise?
O desemprego no Brasil ainda é vivenciado como um dos pontos negativos da crise econômica que abalou o país. No Amazonas, essa realidade não é diferente. Além do número de vagas ficarem cada vez menores, os cargos com mais chances de efetivação normalmente são direcionados ao sexo masculino.
Mas, as dificuldades encontradas pelas mulheres para ganhar salários melhores, maiores e até iguais aos dos homens é uma luta que já existe antes mesmo desta crise.
De acordo com a cantora amazonense, Jôci Carvalho no mundo artístico isso é uma realidade recorrente. Ela afirma que existem contratantes que não acreditam que uma mulher é capaz de fazer um show e lotar uma casa de eventos. “Pode até parecer bobagem, mas isso existe! Eu já passei por isso. Já ouvi pessoas antes de contratar os meus serviços me questionar para saber se eu conseguiria animar um show de duas horas como um homem faria. Já soube que ganho menos por ser mulher’’, relatou a cantora.
O que fazer para mudar essa realidade?
O professor e coordenador do curso de gestão de negócios do IPOG, Camilo Cotrim, acredita que o caminho para a mudança e valorização da mulher no mercado de trabalho é a qualificação profissional. “Os próprios números em crescimento já vem mostrando isso”.
A tendência é que ao contratar o gênero sexual seja apenas um detalhe, o ponto de diferenciação e classificação será o grau de escolaridade, experiência e aperfeiçoamento contínuo na profissão escolhida.
Isso é o que a jornalista e produtora de televisão Cássia Fideles também acredita. “Ainda existe essa desigualdade no Amazonas, mas é questão de tempo. Tudo vai melhorar quando formos escolhidas pela nossa capacitação profissional e não por sermos mulheres!”, finalizou Cássia Fideles.

