Manaus/AM - As mudanças climáticas vão promover um aumento de cerca de 50% na quantidade de raios caindo na Amazônia, especialmente numa região do Rio Negro, a 100 quilômetros de Manaus, onde caem raios durante 250 dias no ano.
A informação está registrada no recém-lançado livro de cientistas do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Elat/Inpe), apresentado durante a Conferência do Clima (Cop26), que ocorre na Itália.
Estudos já mostram que Brasil é o lugar do mundo com maior incidência de raios que sempre caem no mesmo lugar mais de uma vez. São cerca de 70 milhões de raios por ano, mas no livro, os alertam que, com as mudanças climáticas, esse número subirá para uma média anual de mais de 100 milhões de raios até o fim do século.
O maior aumento, cerca de 50%, ocorrerá na Amazônia, com implicações para o equilíbrio da floresta, as telecomunicações e as redes de energia, advertem os estudiosos.
Devido à uma combinação da grande umidade da mata com a proveniente dos rios, uma imensa quantidade de vapor d’água é gerada, o que gera combustível para tempestades quase diárias, numa região do Rio Negro situada entre os municípios de Careiro e Novo Airão. Nela, ocorrem raios durante 250 dias no ano.
Pesquisas já demonstraram que a Amazônia já é o lugar com o maior número de descargas elétricas do país pela combinação de tamanho com tempestades frequentes. Os autores do livro, Osmar Pinto Jr. e Iara Cardoso, apontam que nessa região, não fica três ou quatro dias sem descargas elétricas.
As projeções foram feitas a partir de análises dos 12 principais modelos climáticos globais e eles lembram dos prejuízos causados pelos raios às redes elétrica e de comunicação.



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