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MPAM pede anulação de contrato de show de Zé Vaqueiro em Boca do Acre

MPAM pede anulação de contrato de show de Zé Vaqueiro em Boca do Acre
MPAM pede anulação de contrato de show de Zé Vaqueiro em Boca do Acre

Manaus/AM- O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) ajuizou uma Ação Civil Pública (ACP) contra a Prefeitura de Boca do Acre, solicitando a anulação do contrato de R$ 600 mil com o cantor Zé Vaqueiro para o 27° Festival de Praia. A medida foi tomada após investigações apontarem um sobrepreço de R$ 179.615,39 na contratação do artista.

A investigação teve início devido à falta de transparência na organização do festival, que acontece de 30 de agosto a 14 de setembro. A prefeitura admitiu a falha na publicidade dos atos administrativos e informou que o evento tem um orçamento total de R$ 1.300.060,00, financiado inteiramente com recursos próprios do município.

A análise de 13 contratos de shows de Zé Vaqueiro em outros estados, incluindo dois no Amazonas (Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro), revelou que o valor pago por Boca do Acre é significativamente superior à média nacional, que é de aproximadamente R$ 420.384,61.

A situação é ainda mais preocupante considerando que, em janeiro deste ano, o prefeito Frank Barros (MDB) decretou estado de emergência financeira e administrativa na cidade, alegando falta de recursos e risco de paralisação de serviços essenciais.

O promotor de Justiça Marcos Patrick Sena Leite ressaltou a contradição entre os altos gastos com o festival e os problemas crônicos enfrentados pela população. "A população de Boca do Acre convive com problemas crônicos em áreas essenciais, como infraestrutura precária, crises no abastecimento de água e saúde deficitária", declarou o promotor, mencionando a fila de espera de no mínimo 47 crianças com deficiência que aguardam atendimento especializado.

Para proteger o patrimônio público, o MPAM pediu à Justiça a suspensão imediata do contrato e de qualquer pagamento à empresa do cantor. Em caso de descumprimento, a ação solicita multa diária de R$ 10 mil para o município e/ou multa pessoal ao prefeito.

Além disso, a ACP requer a anulação definitiva do contrato e que o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) seja notificado sobre as irregularidades para que tome as devidas providências. A ação também busca a indisponibilidade da quantia superfaturada, garantindo que o valor seja restituído aos cofres públicos.

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