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MPAM determina reabertura de inquérito de morte de indígena em Manaus

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MPAM determina reabertura de inquérito de morte de indígena em Manaus
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Manaus/AM- O Ministério Público do Amazonas (MPAM) ordenou o desarquivamento imediato do inquérito que investiga a morte do indígena Tadeo Kulina, de 34 anos. A decisão, emitida nesta segunda-feira (16), surge após a apresentação de novos e graves indícios que contradizem a conclusão inicial de morte acidental por queda.

Kulina foi brutalmente espancado em fevereiro do ano passado enquanto acompanhava a esposa grávida em Manaus. Sem falar português e sem conhecer a cidade, ele foi atacado no dia 7 daquele mês, perto da Maternidade Ana Braga. O indígena chegou a ser socorrido, mas morreu no Hospital João Lúcio, com o rosto desfigurado, conforme relato de familiares à FAMDDI.

Arquivamento inicial e a reviravolta

Inicialmente, o inquérito foi arquivado pela 89ª Promotoria de Justiça de Manaus, sob responsabilidade do promotor Flávio Silveira, por falta de indícios de autoria e materialidade. O caso foi tratado como morte acidental por quedas.

Contudo, o próprio promotor Silveira reviu sua decisão com a inclusão de novos elementos de prova. O ponto central é uma ficha de atendimento médico-hospitalar que levanta a suspeita de tortura e agressão física.

"Relata o documento que no momento do ingresso do paciente no hospital, que Tadeo Kulina foi conduzido por policiais militares desacordado, transportado em cadeira de rodas, apresentando sinais de agressão física e tortura, com mãos e pés amarrados e múltiplos hematomas espalhados por diversas partes do corpo," detalhou o promotor.

Novas Oitivas e Prova Pericial

Diante das novas evidências, o MPAM exige o desarquivamento para aprofundar as investigações. Será necessária a oitiva dos profissionais de saúde que atenderam Kulina na unidade hospitalar para confirmar as circunstâncias da entrada do paciente.

Além disso, o promotor Flávio Silveira mencionou a apuração do jornalista Vinícius Sassine, no podcast Dois Mundos, que indicou a existência de possíveis testemunhas que não foram ouvidas na fase inicial.

O objetivo é esclarecer:

As contradições relacionadas aos horários e à dinâmica dos fatos;

Se houve contenção pela população ou agressões por terceiros;

O estado de saúde de Kulina ao ser conduzido à Delegacia;

As ações humanas que possam ter contribuído para a morte;

Silveira também pretende solicitar um laudo pericial da laje onde, supostamente, o indígena teria caído, um exame que considera essencial para confrontar as versões e esclarecer a dinâmica dos fatos.

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