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Médica chama atenção para prevenção a hepatites, causa de 63 óbitos em 2023

Por Ana Celia Ossame, especial para Portal do Holanda

 

O Amazonas registrou em 2023, 643 casos suspeitos de hepatites dos quais 371 foram confirmados e causaram de 63 óbitos. A doença foi destaque na imprensa nacional no último sábado (3) quando anunciada como a causa da morte de Paulo Marubo, liderança da Terra Indígena do Vale do Javari, no interior do Amazonas.

Por sermos uma região endêmica para hepatite B e Delta, que facilmente se alastram pela alta transmissibilidade, é importante a realização de campanhas de conscientização sobre as medidas de prevenção, afirma a médica gastroenterologista Arlene dos Santos Pinto, da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

De acordo com informações da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Marubo tinha hepatite em fase crônica, resultado de diversas epidemias e surtos, que o levaram a ter falência múltipla dos órgãos e posterior morte.

Dados da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) revelam que a Hepatite A teve 27 diagnósticos em 2023 e 1 registro de óbito, a Hepatite B foram 371 casos diagnosticados com 24 óbitos, Hepatite C foram 138 casos e 27 óbitos e Hepatite D, 27 casos e 14 óbitos.

Os registros da FVS mostram que em 2022, houve 423 casos confirmados e 57 óbitos pela doença, tendo a Hepatite B sendo causa de 23 óbitos, a A, 22 e a D, 12 óbitos.

Em 2023, as pessoas do sexo masculino, com idade entre 40 a 59 anos foram as maiores vítimas, mas a doença foi diagnosticada em 118 homens e 109 mulheres nessa faixa etária, com 33 óbitos, sendo 12 em homens e 13 em mulheres. Na faixa etária dos 60 anos ou mais, foram 124 casos da doença, sendo 79 em homens e 45 em mulheres, com 33 óbitos, 21 em homens e 12 em mulheres.

Nesse mesmo ano de 2023, o município de Fonte Boa foi o que teve maior registro da doença, com 71,3% dos casos, seguido por Japurá, com 61,3%, Ipixuna, com 55,3%, Jutaí, 54,2%, Carauari, 39,2%, Manacapuru, 33,3%, Iranduba, 29,4%, Juruá, 27,9%, Santo Antônio do Içá,27,3%, Coari, 27,1%, Envira, 25,4% e Manaus, com 13,2% dos casos.

Fonte Boa também lidera o percentual de óbitos, com 17,6% dos casos, seguido por Juruá, com 13,2%, Itamarati, 12,8%, Eirunepé, com 5,6%, Presidente Figueiredo, com 5,4%, Careiro, 5,2%, Pauini, com 5,1%, Tefé, com 5,0%, Autazes, com 5,0% e Santo Antônio do Içá com 4,7%. Manaus não registrou mortes pela doença.

CAMPANHAS

 “Somos uma região endêmica para Hepatite B e Delta, que facilmente se alastram pela alta transmissibilidade”, afirma a médica da FMT-HVD, para explicar que, por se tratarem de doenças infecciosas, deve- se adotar algumas medidas: uso de preservativo em todas as relações sexuais, não compartilhar de objetos de uso pessoal - como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, material de manicure e pedicure, equipamentos para uso de drogas, confecção de tatuagem e colocação de piercings.

De acordo com Arlene Pinto, desde os anos 70 sabe-se que a Amazônia é a região de mais alta prevalência da infecção pelo Vírus da Hepatite B (HVB) no Brasil. O Amazonas, segundo dados do Ministério da Saúde (MS) é o quarto estado do país com a maior incidência de hepatite B.

A hepatite delta é a menos comum das hepatites virais, mas ao mesmo tempo, a mais grave, pois é a que mais frequentemente e rapidamente progride para as complicações, tais como cirrose (destruição, cicatrização e perda de função do fígado) e câncer primário do fígado ou carcinoma hepatocelular (CHC), explica.

Para evitar a progressão para formas graves, como a que vitimou o líder indígena, a médica recomenda a imunização para hepatite B e a ampla testagem, além de tratamento imediato aos primeiros sintomas.

Arlene destaca a necessidade da implementação de campanhas de conscientização sobre as medidas de prevenção, especialmente em regiões de difícil acesso tanto às vacinas quanto a avaliação clínica, como ocorre em áreas ocupadas por algumas etnias. “São necessárias tanto campanhas em massa quanto um planejamento delineado levando em consideração a crença, a disposição geográfica e outros fatores inerentes dessas populações da Amazônia”, finaliza.

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