Manaus/AM - Com 542 novos casos de tuberculose registrados só no primeiro trimestre deste ano em Manaus, a capital continua liderando o índice de casos em todo o Amazonas, que entre os anos de 2019 a 2021 registrou mais de 9,3 mil casos da doença.
Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a pandemia de Covid-19 provocou um retrocesso no combate global à tuberculose, porque as ações de combate à pandemia impactaram na redução dos testes e acompanhamento de novos pacientes.
Pelas estatísticas do Ministério da Saúde (MS), Amazonas, Rio de Janeiro e Roraima são os estados que apresentam os maiores índices da doença. Em relação à mortalidade, Rio de Janeiro, Acre e Amazonas lideram o ranking. Em 2021, foram registrados 68.271 casos novos de tuberculose no país, contra 68.939 casos novos em 2020, com 4.543 mortes pela doença. Em 2019, o número de óbitos registrados pela doença foi bem parecido com o do ano anterior, 4.532.
No Amazonas, ano passado, houve registro de 3.211 casos novos, representando um aumento de 4,3% em relação a 2019, ano de referência por ser anterior à pandemia de Covid-19, e dentro dos parâmetros esperados (10% anual), de acordo com o Programa Estadual de Controle da Tuberculose (PECT-AM).
Desse total, Manaus concentra 72,3% de todos os novos casos da doença registrados no ano passado e 61,45% dos novos casos registrados no primeiro trimestre deste ano, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).
Ainda de acordo com a Semsa, no ano passado houve um aumento de 11,8% de novos diagnósticos da doença – pacientes que apresentaram tuberculose pela primeira vez –, em relação a 2020, com o registro de 2.321 casos positivos.
Para a Semsa, a principal estratégia para a redução dos casos e óbitos por tuberculose, definida pela OMS, é a ampliação do diagnóstico e tratamento da Infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB).
Outras ações importantes implementadas pelo PECT-AM para a prevenção da tuberculose no Amazonas incluem a disponibilização gratuita da vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin), no Sistema Único de Saúde (SUS), que deve ser aplicada nas crianças ao nascer ou, no máximo, até 04 anos, 11 meses e 29 dias de idade, protegendo contra as formas mais graves da doença, como a tuberculose miliar e a meníngea.
Um serviço de acompanhamento de pacientes e familiares é mantido tanto pelo Estado quanto pelo município de Manaus.
Atualmente, a Semsa mantém o serviço de telemonitoramento para casos de tuberculose e acompanha 894 casos novos, incluindo crianças e pacientes com coinfecção TB/HIV. O objetivo é fortalecer o processo de adesão dos pacientes, criando um canal de comunicação direta com o usuário, no qual é possível tirar dúvidas em relação a doença, diagnóstico, tratamento e exames dos contatos intradomiciliares.
A Semsa vem intensificado as ações de ILTB nos últimos anos, com tratamento de 2.361 pessoas, iniciado entre 2017 até o último dia 18 de abril.
Outra medida preventiva é a avaliação dos familiares e outros contatos do paciente diagnosticado com tuberculose pulmonar para a investigação e diagnóstico da Infecção Latente por Tuberculose, de modo que pessoas que foram infectadas pelo Mycobacterium tuberculosis, mas que ainda não se encontram doentes, sejam diagnosticadas, tratadas e não venham a adoecer por tuberculose nos próximos anos.
Também é feita a busca ativa de sintomáticos respiratórios e ações educativas para a identificação dos sinais e sintomas da doença nos serviços de saúde, comunidade e escolas, com o objetivo de identificar e diagnosticar precocemente os casos de tuberculose, tratando-os oportunamente, quebrando a cadeia de transmissão da doença.
Quando uma pessoa se encontra infectada pelo Mycobaterium tuberculosis, sem manifestação da doença ativa, pode permanecer saudável por muitos anos, sem transmitir a doença, porém, com risco de adoecimento.
Entretanto, os contatos que vivem no mesmo domicílio e pessoas vivendo com HIV são os principais grupos que necessitam ser investigados.


