Um convite para um encontro com a poesia é feito com o lançamento do livro “Canções para Milomaqui”, no próximo dia 28 de julho, às 19hs, no salão nobre do Centro Cultural Palácio Rio Negro, feito pelo escritor e poeta José Cyrino Júnior.
O livro tem a temática amazônica, reunindo poemas que refletem vários aspectos da natureza e da vida na região. Alguns poemas cantam a beleza da natureza física como os lagos, outros como o ‘Paralelas’, inspirado na imagem do Cristo Redentor, existente em várias cidades do país.
“Nesse poema, criei um diálogo ficto entre o Cristo Redentor do Rio de Janeiro, o mais conhecido, com o do município de Coari”, explica Zeca Cyrino.
Paralelas
“Tu tens a teus pés
o Rio de Janeiro
Eu tenho aos meus
mais rios que os teus.
Eu tenho aos meus pés
o ano inteiro, os abraços
ingênuos dos braços
efêmeros dos igarapés
Tu tens a teus pés
a formosa lagoa,
a quem todo dia
tuas mãos abençoam.
Eu tenho aos meus lados
os mais belos lagos
que os remos talhados
das rasas canoas
lhe fazem afagos
de popa à proa”.
O título do livro é inspirado na lenda da paxiúba, dos índios kamaiurás, que habitam o alto Xingu.
E para fazer 'festa no olhar', a capa é uma tela do artista plástico parintinense Rubens Belém, celebrado pelo belo e inovador trabalho. Nas páginas há ainda tem uma série de belíssimas gravuras de índios estilizados do artista plástico Roberto Bessa.
Outro poema destacado pelo autor é tenta refletir a maneira do relacionamento afetivo do caboclo. “Eu senti muito isso na relação dos caboclos, eles têm o jeito de amar liberal, bebem na mesma cuia, dormem na mesma rede, mas passam os problemas cada um do seu jeito”, explica.
De Bubuia
Essa mania que a gente tem
De beber na mesma cuia,
essa mania que a gente tem
de dormir na mesma rede,
essa mania que a gente tem
de amar sem ter medida,
ainda pode deixar
a alma da gente ferida
e fazer a gente chorar.
Mas como esse é o jeito
que a gente tem de amar,
se pintar esse perigo
eu pego a rede a cuia,
te chamo e tu vens comigo
pra gente ficar de bubuia
até o perigo passar. “
A apresentação do livro é do o professor Marcos Frederico Krüger, membro da Academia Amazonense de Letras (AAL) e a edição é uma produção independente editado pela JV Publicações, uma editora baiana.

