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Indígenas do Alto Rio Negro contestam Senador pela defesa de exploração mineral

Indígenas do Alto Rio Negro contestam Senador pela defesa de exploração mineral
Indígenas do Alto Rio Negro contestam Senador pela defesa de exploração mineral

Após a leitura de uma carta assinada por 50 moradores da Terra Indígena (TI) do Alto Rio Negro defendendo a exploração mineral naquela região do Amazonas, o senador Plínio Valério (PSDB), foi contestado por representantes de pelo menos 85 comunidades e 10 associações dos povos Baniwa e Koripako.

Para essas entidades, o senador tenta legitimar a entrada de empresas de mineração na TI do Alto Rio Negro, onde a extração de minérios é rechaçada pela maioria dos 25 mil habitantes pelos efeitos já causados no passado.

A carta lida por Valério durante sessão do Legislativo na semana passada era de moradores da comunidade indígena Castelo Branco, banhada pelo rio Içana, na cidade de São Gabriel da Cachoeira (a 850 quilômetros de Manaus).

Segundo a carta, essas organizações não-governamentais (ONGs) que apoiam geração de renda e fortalecimento da identidade cultural da população são responsáveis por impedir o desenvolvimento econômico local.

Em resposta, a Organização Baniwa e Koripako Nadzoeri disse, em nota, que “os interesses de grupos empresariais que desejam explorar as terras indígenas sem passar pela consulta livre, prévia e informada parecem mover o senador Plínio Valério.

A entidade vê uma tentativa do senador de estimular a divisão interna das comunidades, utilizando o espaço privilegiado da tribuna do Senado para amplificar posições ultraminoritárias.

Em entrevista ao site Brasil de Fato, o senador tucano reafirmou o apoio à “exploração das riquezas naturais de forma sustentável” e a lançou suspeitas sobre a atuação de ONGs.

FOIRN CONTESTA

Em nota, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), que representa legalmente 750 comunidades de 23 povos da tríplice fronteira com Venezuela e Colômbia, região conhecida como “Cabeça do Cachorro”, lembrou que a região já tem sido alvo de garimpeiros que de forma ilegal e sem qualquer fiscalização ou proteção sobre o território, atuam por lá.

 “Há muitas décadas a gente vem lutando contra o garimpo. E agora vêm esses interesses que desejam explorar a terra indígena sem passar pela consulta prévia, livre e informada”, diz.

De acordo com o diretor executivo da Foirn, Dário Casimiro Baniwa, nas assembleias consultivas, deliberativas e normativas realizadas com o povo do rio Içana, a pauta de mineração e de garimpo nunca foi prioridade.
A Foirn não teve acesso à carta lida pelo senador, mas afirma que a produção do documento pode ter sido estimulada pelo lobby da mineração, que também atua no interior das comunidades.  

Ao citar a proximidade de membros da comunidade Castelo Branco com partidários do presidente Jair Bolsonaro (PL), que já acusou ONGs de frear o desenvolvimento econômico das populações originárias, Baniwa afirma que “o senador parece desconhecer nossa luta, nossos interesses e nossos projetos, que são voltados para a melhoria de condições de vida, mas nunca para a destruição e poluição. Eles são sempre voltados para o manejo, melhorando as condições de vida da população e também cuidando do meio ambiente”.

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