As vacinas são fundamentais para proteger não só individualmente as pessoas, mas também a família e a toda comunidade. Com este apelo, Angela Desirée, gerente de Imunização da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), chama a atenção para os índices não alcançados de vacinação para algumas doenças, especialmente direcionadas às crianças, como a poliomielite e destaca a disponibilização dos imunizantes na rede de saúde pública.
De acordo com orientação do Ministério da Saúde, os parâmetros de cobertura vacinal de doenças são os seguintes. BCG e Rotavírus: 90%, Hepatite B, Pneumo 10, Mening C, Penta, Tríplice Viral, Tetra Viral, Polio, Varicela e Hepatite A: 95%, Febre Amarela: 100%.
No Amazonas, no entanto, os índices estão abaixo dos esperados, pois a vacinação contra o Rotavírus chegou a 71,5% da meta, a contra Hepatite B, 78,6%, Pneumo 10, 86,7%, Mening C, 80,4%, Penta, 78,6%, Polio, 77,4%, Tríplice Viral D1, 78,9%, Tríplice Viral D2, 48,7%, Tetra Viral, 12,6%, Hepatite A, 71,4%, Varicela, 60,4% e Febre Amarela, 62,1%. A vacina Tetra Viral está sendo administrada como opção de segunda dose da Tríplice Viral.
Para os especialistas, é grande a preocupação com os índices em queda da imunização contra a poliomielite, desde de 2016, último ano em que o país superou a marca de 90% de cobertura vacinal do público-alvo, que são crianças menores de 5 anos de idade.
Esse índice em 2022 foi de 72%, bem abaixo do ideal, mas se comparado ao índice nacional, no ano anterior, foi levemente superior, que chegou a 71%, conforme dados do Ministério da Saúde.
No Brasil, o registro do último caso da doença foi em 1989, ou seja, há 34 anos, mas em outros países ela ainda não foi erradicada, o que pode fazer o vírus voltar a circular por aqui.
Entre as medidas adotadas pela FVS-RCP para ampliar a cobertura vacinal no Amazonas, estão visitas técnicas aos municípios do Estado, com treinamentos e ações de suporte técnico para profissionais de saúde das secretarias municipais de saúde.
No período de janeiro a maio de 2023, essas equipes, coordenadas pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), pela FVS-RCP, estiveram em Ipixuna, Pauini, Boca do Acre, Iranduba, Maraã, Jutaí, Juruá e Fonte Boa, onde foram realizados treinamentos visando fortalecer tanto as ações de ampliação de cobertura vacinal de doenças imunopreveníveis, com destaque para poliomielite, Covid-19 e influenza.
No caso da poliomielite, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) destaca que a maioria das infecções não produz sintomas, mas de cinco a dez em cada 100 pessoas infectadas com esse vírus podem apresentar sintomas semelhantes aos da gripe. Entretanto, em um a 200 casos, o vírus destrói partes do sistema nervoso, causando paralisia permanente nas pernas ou braços. Para isso, não há cura, deixando a pessoa com a ausência ou diminuição de força muscular no membro afetado e dores nas articulações.
Há 30 anos, a pólio paralisou cerca de 1.000 crianças por dia em 125 países em todo o mundo, incluindo países das Américas, de acordo com dados da Opas, destacando que só a vacinação pode proteger as crianças dessas sequelas irreparáveis.
Depoimento
Contra a força da campanha antivacinação na pandemia da Covid-19, em depoimento dado em 2021 nas redes sociais, o professor doutor Odenildo Sena, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), da qual está aposentado, manifestou a profunda preocupação com esse tipo de a campanha empreendida, inclusive, por milhares de profissionais da área médica, compartilhando a história de vida dele.
Odenildo, que mora atualmente em Portugal, foi objetivo no relato: “Falo da minha própria história. Quando eu tinha 1 ano de idade, as primeiras campanhas de vacinação antipólio já estavam acontecendo em alguns países europeus, como a Polônia. Mas o Brasil ainda estava distante de ser contemplado. Fui acometido por poliomielite e fiquei com sequelas físicas que carrego para o resto da vida. Sei, portanto, a importância e o valor da ciência traduzidos na descoberta de uma vacina. Já estou na fila aqui em Portugal para ser vacinado no início de abril. Viva a ciência! Viva a vacina!”

