O número de mulheres vítimas de ameaças quase dobrou em dois anos no Amazonas anos, saindo de 13.033 registros em 2021 para 21.643 em 2022, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2023, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado ontem.
Esses dados refletem ainda o volume de chamadas para o número 190, quando o Amazonas registrou mais de 1,4 milhão de chamadas em 2021 e 1,2 milhão em 2022.
No caso de vítimas de ameaças, o Amazonas só perde para o Pará, que registrou 20.998 e 22.301 casos, respetivamente.
Nos demais estados, os maiores registros de ameaças às mulheres foram no Tocantins, com 6.160 em 2021 e 6.628 em 2022, Amapá, com 5.906 registros em 2021 e 5.924 em 2022, Roraima com 2.756 registros em 2021 e 3.663 em 2022 e Acre, com 1.883 e 2.494 casos respectivamente.
Esse índice reforça também o aumento do número de medidas protetivas de urgência concedidos pela justiça para as mulheres. No Pará, em 2021 foram 15.083 medidas protetivas e em 2022 18.854, no Amazonas, 9.866 em 2021 e 11.433 em 2022, Rondônia teve 7.149 em 2021 e 7.334 em 2022, Tocantins, 4.259 e 4.397 respectivamente, Acre 3.298 e 3.463, respectivamente, Amapá 3.207 e 2.673, Roraima 2.280 e 2.696.
Houve ainda o crescimento do número de casos de perseguição ( stalking ) e violência psicológica contra mulheres no estado do Amazonas, saindo de 723 registros em 2021 para 1.730 em 2022.
Na região Norte, o Amapá, com 557 e 761 respectivamente ocupa o segundo lugar, o Pará vem em terceiro, com 552 e 1.414 casos, respectivamente, o Tocantins com 284 e 470 casos, Acre, com 127 e 197 casos, Roraima, com 51 e 205 casos e Rondônia, com 39 e 315 casos.
Em todo o país, segundo os dados do anuário, os crimes contra a mulher como o feminicídios cresceram 6,1% em 2022, resultando em 1.437 mulheres mortas simplesmente por serem mulheres.
Os homicídios dolosos de mulheres também cresceram (1,2% em relação ao ano anterior), o que impossibilita falar apenas em melhora da notificação como causa explicativa para o aumento da violência letal, diz a publicação.
Além dos crimes contra a vida, as agressões em contexto de violência doméstica tiveram aumento de 2,9%, totalizando 245.713 casos; as ameaças cresceram 7,2%, resultando em 613.529 casos; e os acionamentos ao 190, número de emergência da Polícia Militar, chegaram a 899.485 ligações, o que significa uma média de 102 acionamentos por hora.

