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Hotéis são interditados em Manaus durante operação “Centro Seguro”

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Dezesseis hotéis foram interditados e notificados por irregularidades no Centro de Manaus durante a operação “Centro Seguro”, realizada pelo Governo do Amazonas e a Prefeitura Municipal. Segundo investigação comandada pela Polícia Civil, os estabelecimentos eram usados para abastecer o tráfico de drogas e serviam como pontos de prostituição e depósito de produtos roubados.

A mega operação “Centro Seguro” começou ainda na madrugada da sexta-feira e ocorreu nas ruas Quintino Bocaiuva e Joaquim Nabuco, a segunda maior zona de ocorrências policias do Centro da cidade, segundo informação da Polícia Militar. Cerca de 200 policiais civis e militares participaram da ação. A operação envolveu 12 órgãos do Governo do Estado e Prefeitura, além da Polícia Federal, Eletrobrás Amazonas Energia, Manaus Ambiental, Corpo de Bombeiros, Conselho Tutelar Sul II, Conselho Nacional de Combate à Pirataria, Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus, Associação Comercial do Amazonas e uma empresa de que comercializa sinal de TV a cabo.


 

A Polícia Civil monitorava a rede hoteleira da região há dois meses e identificou que os locais eram fachada para o tráfico de drogas e a prostituição. “Usam o nome de hotéis, mas não são. Temos pessoas morando nesses lugares, totalmente insalubres, consumindo e vendendo drogas. Inclusive encontramos um mini-laboratório de refino de cocaína onde a droga era refinada e vendida às pessoas que moram aqui para repassar aos demais consumidores. Nosso objetivo é desarticular as quadrilhas de droga que se instalaram no Centro, juntamente com o furto, a exploração sexual de mulheres e de crianças e adolescentes”, afirmou o delegado-geral adjunto da Polícia Civil, Mário Aufiero.


 

O cenário encontrado pelas autoridades dentro dos estabelecimentos era de miséria e abandono, com muito lixo, ratos, baratas e vestígios de consumo de bebidas alcoólicas e drogas. A maior parte dos locais funcionava sem o alvará comercial e possuía ligações de água, eletricidade e televisão a cabo clandestinas. Durante as vistorias, 15 crianças foram encontradas em situação de abandono. Na pousada Rio Negro, localizada na rua Quintino Bocaiuva, um grupo de cinco crianças foi encontrado trancado em um dos quartos sem nenhum responsável tomando conta. Todas as 15 crianças foram encaminhadas para o serviço de acolhimento institucional da Prefeitura de Manaus.

Ao todo, 23 pessoas foram detidas pela Polícia Civil para prestar esclarecimentos. Nos hotéis fiscalizados, foram encontradas ainda diversas mercadorias sem nota fiscal. A Polícia Civil acredita que os materiais sejam frutos de roubo e que seriam revendidos no comércio da cidade. Um total de 29 cortadores de grama, uma motosserra e quinhentos chips para celular foram recolhidos. No Hotel Náutico, também na Quintino Bocaiuva, um escritório de falsificação de perfumes foi desmontado. O esquema era comandado por dois estrangeiros.

Reestruturação - O foco da operação “Centro Seguro” é a reestruturação da região central de Manaus, combatendo o crime a partir de um amplo trabalho social.  De acordo com Aufiero, o trabalho integrado entre os órgãos segue recomendação do governador Omaz Aziz e visa inabilitar o crime e trazer ganhos significativos para a segurança pública da cidade. “Quando você ataca a causa, que é a mazela social, evita que mais crimes aconteçam. O tráfico de drogas, a prostituição, as crianças em situação de abandono. É a base do alicerce para construir um ambiente saudável e mais seguro na nossa cidade. Isso vem ao encontro da filosofia do programa Ronda no Bairro”.

A Prefeitura de Manaus anunciou que planeja a desapropriação de algumas pousadas para a revitalização do Centro Histórico. O projeto será trabalhado em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, informou o titular da secretaria extraordinária do Centro de Manaus, Rafael Assayag.

O gerente comercial, Antônio Paulo, trabalha próximo a uma das pousadas interditadas e testemunhava a rotina da região. “Uma área bem perigosa. São diversas pessoas assim, a bandidagem mesmo corria solta. Acho muito importante essa operação porque vai fechar algumas dessas casas e inibir muito os bandidos que acessam essa área. Acredito que vai ficar bem melhor”, disse.

Para a cozinheira Maria Roseane Rodrigues, que passava por um dos pontos de fiscalização, a interdição dos hotéis é um alívio. “Para mim, é muito melhor sendo fechado. Digo isso como mãe. Tenho meus filhos e sei dos riscos. O quanto a gente puder evitar é melhor”.

O vendedor autônomo Aldemir Silva também aprovou a ação. “É uma operação bem vinda, bem realizada. Tem muito traficante, bandido, prostituição de menores. Tem que ser feito toda vez”, comentou.

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