Manaus/AM - Em uma década, entre 2000 e 2020 a vegetação campestre e a florestal do país tiveram redução 513,1 mil quilômetros quadrados, enquanto a área agrícola cresceu 230 mil quilômetros produzindo grãos, com as mudanças mais intensas ocorridas na Amazônia.
De acordo os dados, a vegetação florestal e a campestre no Brasil sofreram as maiores perdas de áreas, enquanto pastagem com manejo, área agrícola e silvicultura apresentaram os maiores acréscimos, com a área da silvicultura crescendo 71,4% (36 mil km²), a área agrícola 50,1% (229,9 mil km²) e a de pastagem com manejo, 27,9% (247 mil km²).
A informação é da pesquisa Contas Econômicas Ambientais da Terra: Contabilidade Física (Brasil 2000/2020), divulgada hoje (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As bordas da Amazônia, no chamado Matopiba, no sul do Rio Grande do Sul e a área que vai do oeste paulista ao leste de Mato Grosso do Sul e Goiás foram as mais atingidas. O Matopiba é uma região de grande crescimento no cultivo de grãos, cujo nome é a combinação das siglas dos estados que têm cidades na região: Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
A pesquisa mostra que 64,7% das mudanças ocorridas foram sobre a vegetação nativa, regressão decorrente, especialmente, do avanço da pastagem com manejo e da lavoura.
Desde 2000, as classes com maior participação no total de conversões foram as de vegetação florestal (40,4%), vegetação campestre (24,3%) e mosaico de ocupações em área florestal (19,2%).
Ao considerar apenas as classes de vegetação nativa, nota-se que mais da metade das conversões que ocorreram no país no período estudado foram sobre vegetação florestal e campestre (64,7%), aponta o estudo.
A diferença entre os anos de 2000 e de 2020, segundo o IBGE, indica que importantes conversões de uso para atividade agrícola ocorreram na chamada fronteira agrícola do Brasil. Em diferentes regiões do país, mas em especial no bioma Cerrado, novas áreas foram convertidas em cultivo, muitas delas derivadas de pastagens, em geral com algum grau de degradação.
De acordo com a pesquisa, as áreas agrícolas têm destaque especialmente nos estados de Mato Grosso (18,1%), São Paulo (14,9%), do Rio Grande do Sul (14,3%) e Paraná (10,5%) com os maiores percentuais de terras nessa classe, em relação ao total Brasil.
As lavouras tiveram crescimento também no Maranhão (2,8%), Tocantins (4,4%), Piauí (3,8%) e Bahia (2,7%), que integram o Matopiba, de 2000 a 2020.
O Pará foi a unidade da federação com a maior expansão de pastagem com manejo: 87,8 mil km²; e com maior redução de vegetação natural, 123,2 mil km².



