Ao receber o documento no final da tarde de ontem, Alfredo foi informado por sua assessoria que se tratava de uma bomba, capaz de nocautear Omar Aziz e permitir a sonhada virada, a três dias da eleição. O candidato apostou na informação equivocada e está pagando por um erro primário .
Os jornais de hoje publicam o documento da Policia Federal com o resultado da investigação. Mas quem teria colocado o senador nessa saia justa ? Consta que o vice na sua chapa, Serafim Correa, tinha o documento guardado desde 2008 e que pretendia usá-lo contra Omar caso ele fosse o seu adversário no segundo turno das eleições daquele ano para a Prefeitura de Manaus. Não foi preciso.
Agora o teria entregue a Alfredo, sem atentar para o fato de que o caso estava esclarecido.
Mas Serafim é um personagem intrigante, sobre quem recai boa parte das maldades cometidas no estado, sem que muitas vezes seja ele o seu autor. Isso lembra o caso do Zé, um dos personagens preferidos de Carlos Drumond de Andrade. Num de seus contos, Drumond conta a história de um menino levado, acusado das malfeitorias que ocorriam numa cidadezinha do interior paulista. Certo dia apareceu um amigo do Zé, ferido, agonizante. A multidão se aproximou. Um policial se debruçou sobre o corpo já quase moribundo do menino. "Quem foi ?" Indagou. O rapaz murmurou: "pois é". O policial entendeu: "foi o Zé".
A historinha está sendo contada para lembrar que Serafim pode ser o Zé da vez, e muito provavelmente não responsável pelos equívocos que Alfredo vem cometendo nos últimos dias.


