Manaus/AM - Testes sorológicos realizados em cerca de 300 moradores de comunidades ao longo da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho/RO) apontaram que pouco mais de 50% apresentaram anticorpos IgM contra o vírus Oropouche (OROV), indicando infecção recente. O estudo foi conduzido pela Fiocruz Amazônia em parceria com a Unicamp e o Instituto Evandro Chagas, e avaliou a presença de patógenos como dengue, chikungunya, febre Mayaro e leptospirose.
O projeto, chamado Rede Pampa-BR 319, investiga a relação entre degradação ambiental e circulação de vírus emergentes na região amazônica, seguindo o conceito One Health, que integra saúde humana, animal e ambiental. As expedições, realizadas em comunidades como Igapó Açu e Realidade, incluem coleta de sangue, entrevistas com moradores e ações de educação em saúde, durando em média 20 dias cada uma.
O vírus Oropouche é transmitido principalmente por insetos do gênero Culicoides e, embora historicamente restrito à Amazônia, registrou surtos em diferentes estados do Brasil e países da América Latina após epidemias entre 2023 e 2024. Segundo o coordenador do estudo, Pritesh Lalwani, compreender a interação entre mudanças ambientais e saúde humana é fundamental para orientar políticas públicas e prevenir a disseminação de doenças.
O diagnóstico gerado pelo projeto servirá como base para futuras comparações, especialmente após o recapeamento da BR-319. O trabalho conta com financiamento das Fundações de Amparo à Pesquisa do Amazonas, de São Paulo e do Pará, no âmbito do edital Amazônia+10, e busca consolidar a integração institucional entre pesquisa científica e ações de saúde pública na região.



