Falta de sinalização e dragagem afeta navegação no Madeira

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13/04/2015 13h46 — em Amazonas

Navegação na principal rota de escoamento de cargas enfrenta problemas

A ausência de sinalização e dragagem tem afetado  a navegação de embarcações  no rio Madeira, que banha os estados do Amazonas e Rondônia. O rio é uma  das principais rotas  fluviais de balsas e  navios, que transportam  cargas e passageiros,  além de  escoar produção  agrícola  na  região.  O  Sindicado  das  Empresas  de  Navegação  Fluvial  no Estado do Amazonas (Sindarma)  alerta que são  necessários  investimentos  para garantir segurança e navegabilidade no rio Madeira.

De acordo com  o presidente do Sindarma, Claudomiro Carvalho Filho, o  Madeira é o rio  principal para o transporte de cargas  dos estados do Amazonas, Rondônia, Acre e parte  do  Mato  Grosso.  Pelo  Madeira  é  transportada  parte  da  produção  de  grãos como, exemplo, a soja cultivada no Centro-Oeste do Brasil.

Diariamente  navegam  pelo  Madeira  balsas  de  carga  e  embarcações  mistas (passageiros  e  cargas),  transportando fertilizantes,  milho,  cimento,  combustíveis, alimentos  perecíveis  e  não  perecíveis,  contêineres,  automóveis  e  cargas  gerais.  O transporte de cargas ocorre tanto no sentido jusante, quando  as embarcações  descem o rio, quanto no sentido contrário.

“O Madeira é o rio por onde todo o combustível que abastece a região é transportado. Um volume expressivo de grãos produzidos nessa região  no  entorno de Porto Velho, no Mato Grosso e Acre desce  nas embarcações pelo Madeira para exportação, sendo que  uma  parte  sai  por  Itacoatiara  (AM)  e  outra  sai  por  Santarém  (PA)”,  explicou  o representante do setor.

Outro  fator  relevante  na  navegação  do`  Madeira  envolve  o  transporte  de  cargas alimentícias, que abastecem  Manaus. A produção do Amazonas também é escoada pelo  Madeira.

A área compreendida como hidrovia do Madeira pelo governo federal abrange o trecho de Porto Velho (RO) até a sua foz, na confluência com rio Amazonas e o rio Aripuanã -  afluente  da  margem  direita.  São  1.056  km  do  rio  Madeira  e  mais  212  km  do  rio Aripuanã,  considerados  navegáveis  pela  Administração  das  Hidrovias  da Amazônia Ocidental  (AHIMOC).  Porém,  na  prática  a  situação  de  navegabilidade  é  diferente  da mensurada pelo governo federal.

Madeira não tem recebido investimentos

Mesmo  considerada  rota principal, o rio Madeira não tem sido foco dos investimentos da  navegação,  que  são  de  competência  do  Ministério  dos  Transportes  e  do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

“A Marinha nos últimos três anos agregou em sua frota navios para fazer cartografia dos rios, que são  os  estudos para guiar  a  navegação.  O  Madeira foi o primeiro a contar com o  levantamento. A Marinha tem feito o seu papel, mas faltam os outros órgãos  – Ministério  dos  Transportes  e  Dnit  –  realizarem  a  parte  de  sinalização  e  dragagens  no período do verão, quando o rio está o com nível baixo das águas. Esses dois aspectos são cruciais para navegar de forma segura”, ressaltou Carvalho.

“O  processo  se  dará  pela  mobilização  de  pelo  menos  dois  parques  de  dragagem distribuídos pelos pontos de restrição indicados no projeto, os quais realizarão a retirada dos  sedimentos  acumulados  no  fundo  do  rio,  eliminando  a  restrição  à  passagem  das embarcações.  A  melhoria  será  o  restabelecimento  do  calado  operacional  mínimo  da hidrovia,  permitindo  que  os  comboios  possam  navegar  pelos  pontos  de  restrição  com menor  impacto  possível  sobre  o  seu carregamento”,  informou  o  Ministério  dos Transportes em nota enviada ao Sindarma.

Viagem dura 130 horas

De Porto Velho até Itacoatiara (descendo o rio) leva 70 horas navegando pelo Madeira. No sentido oposto, contra a correnteza, são necessárias 130 horas, conforme dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Durante o  período das cheias, as embarcações,  em média,  passam oito dias navegando para cumprir o trajeto de Manaus a Porto Velho, que inclui  o  trecho do Madeira. Já no período da vazante são necessários até 15 dias para navegar a mesma distância. O tempo de navegação é maior pela impossibilidade dos navios seguirem viagem à noite e na madrugada. A restrição eleva em 30% o custo do transporte de cargas e de passageiros na vazante, que ocorre  entre  os  meses de julho e outubro.

“São até 15  dias de viagem  em função de não ser possível navegar à noite por falta de sinalização e dragagem dos trechos onde há assoreamento. O Madeira é um rio de muito sedimento, que vai criando praias e bancos de areia. Nesse período do verão  amazônico se navega somente de dia para se fazer uma navegação segura diante da falta da sinalização e dragagem”, revelou o presidente do Sindarma.

Custo de melhorias é de R$ 40 milhões

O Ministério da Defesa anunciou  apoio à implementação da hidrovia do rio Madeira, no  último  dia  1º.  Durante  visita  à  Manaus,  o  ministro  da  Defesa,  Jaques  Wagner, divulgou que mobilizará órgãos federais para a realização de melhorias da hidrovia do rio  Madeira.  Segundo  o  Ministério  da  Defesa,  as  intervenções  em  apenas  40  km  de extensão estão orçadas em R$ 40 milhões.

O  Ministério  da  Defesa  divulgou  que  articulará  com  outros  ministérios  apoio  para  a realização das quatro fases necessárias para a implementação  da hidrovia: levantamento hidrográfico, produção de carta náutica, sinalização e dragagem dos pontos críticos  do leito do rio.

Serviço de dragagem deve ser feito em 2015

De  acordo  com  o  Ministério  dos  Transportes,  a  intervenção  prevista  na  Hidrovia  do Madeira para  2015 é  o serviço  de dragagem, que estaria com  orçamento em análise no Dnit.  O Ministério disse que a  publicação do edital está prevista para ocorrer no mês de maio  deste  ano,  com  início  dos  trabalhos  previstos  para  o  mês  de  julho  de  2015.  A estimativa é que os trabalhos estejam concluídos até o mês de outubro deste ano.

“O  processo  se  dará  pela  mobilização  de  pelo  menos  dois  parques  de  dragagem distribuídos pelos pontos de restrição indicados no projeto, os quais realizarão a retirada dos  sedimentos  acumulados  no  fundo  do  rio,  eliminando  a  restrição  à  passagem  das embarcações.  A  melhoria  será  o  restabelecimento  do  calado  operacional  mínimo  da hidrovia,  permitindo  que  os  comboios  possam  navegar  pelos  pontos  de  restrição  com menor  impacto  possível  sobre  o  seu carregamento”,  informou  o  Ministério  dos Transportes em nota enviada ao Sindarma.


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