Manaus/AM - Entre 1984 e 2018, as áreas em recuperação das três principais florestas tropicais do mundo, Amazônia, Bornéu (na Ásia) e Congo (na África central), foram responsáveis pela compensação de pouco mais de um quarto (26%) do carbono emitido por desmatamento e degradação florestal de todas as florestas tropicais no mesmo período.
Os dados são resultados de um estudo pioneiro liderado pela Universidade de Bristol, no Reino Unido, e que conta a participação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e foi publicada pela revista Nature, divulgados pelo site Observatório do Clima
Foi possível, pela primeira vez, quantificar o potencial de absorção de CO2 por florestas tropicais em recuperação, concluindo a compensação pelas florestas da quantidade de carbono emitido resultado do desmatamento e degradação florestal.
Para os pesquisadores, os resultados da pesquisa têm importância tanto para os inventários nacionais de emissão de carbono apresentados às Nações Unidas como para o grande potencial do Brasil de atrair recursos financeiros por meio de investimentos em áreas de gestão e pagamento por serviços ambientais.
Em valores brutos, os 26% de capacidade de absorção pelas florestas em recuperação significam uma média de 107 milhões de toneladas de carbono armazenadas por ano entre 1984 e 2018. A preservação total dessas áreas no futuro significaria um aumento de 32% no carbono armazenado até 2030, considerando o “estoque” calculado em 2018.
Mas os cientistas admitem que esse cenário é improvável, pela existência de muitas florestas secundárias que são parte de práticas de cultivo itinerante de longo prazo, e as florestas degradadas em áreas de exploração madeireira são normalmente cortadas em ciclos de 15 a 40 anos, ou convertidas para outros usos da terra
Na Amazônia, o desmatamento explodiu em 2019 e a degradação já afeta cerca de 38% da floresta. Em fevereiro deste ano, os municípios do entorno da rodovia BR-319 tiveram uma alta de 16% nas emissões de gases de efeito estufa por uso da terra e agropecuária, de acordo com dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG).
Entre 2018 e 2019, as emissões nos 13 municípios da área de influência da estrada saltaram de 54,7 milhões de toneladas de CO2 equivalente para 63,8 milhões. Na média nacional, as emissões subiram 11% nesses dois setores.
O estudo mostrou que 35% das florestas degradadas foram posteriormente desmatadas, e quase metade desse desmatamento aconteceu até cinco anos após os primeiros eventos de perturbação (como queimadas ou extração de madeira), indicando que as florestas recentemente degradadas estão sob maior risco de desmatamento, o que torna seu estoque de carbono mais vulnerável.

