Manaus/AM - Mesmo com número de médicos ativos com registro no Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) suficiente para atender às necessidades da população, há municípios do Estado sem a presença desses profissionais de forma constante.
De acordo com dados da Plataforma Demografia Médica no Brasil 2023, lançada ontem (6) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), no Amazonas, existem 5.594 médicos atuantes, dos quais 5.214 estão na capital e 299 no interior.
Os especialistas estão em menor número no interior. Enquanto na capital atuam 5.214 médicos com especialização, enquanto no interior são apenas 60 especialistas.
A desigualdade na distribuição de médicos, no entanto, pode ser vencida a partir da regulamentação da carreira médica no estado conforme está previsto na Emenda Constitucional 80/2013, informa, em nota, o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), ao comentar os dados da Plataforma.
Para o CRM, a emenda foi aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), em dezembro de 2013, mas carece de interesse político para sua regulamentação.
Na nota o CRM entende que a regulamentação pode ajudar a resolver o problema da má distribuição dos médicos, levando profissionais a localidades de difícil acesso além de oferecer garantias para um bom exercício profissional no serviço público de saúde.
Ainda na nota, o CRM explica que essa regulamentação é semelhante ao que já acontece com servidores públicos concursados do poder Judiciário e Ministério Público sem vínculo com a prefeitura. “O profissional médico, para se fixar no interior do Estado, necessita de estrutura física, insumos básicos e equipamentos para que possa desenvolver a medicina com qualidade e segurança”, pontuou.
De acordo com os dados da plataforma, o Brasil contabiliza, atualmente, 546 mil médicos ativos, uma proporção de 2,56 profissionais por mil habitantes. No Amazonas, a proporção é de 1,31 por mil habitantes.
Uma grande preocupação dos conselhos regionais de Medicina com o crescimento acelerado do número de escolas médicas e de vagas na última década, é com as condições dessas instituições para dar uma boa formação profissional.
Apesar de juntas responderem por 24% da população do país, as 27 capitais brasileiras reúnem 54% dos médicos. Por outro lado, vivem no interior 76% da população e 46% dos médicos ativos no país. Os números mostram ainda que as capitais têm uma média de 6,21 médicos por mil habitantes contra um índice de 1,72 no interior.

