Manaus/AM - Com uma média de 12 amputações de pênis a cada ano no Amazonas, causadas pelo estágio avançado do câncer nesse órgão, o médico Giuseppe Figlioulo, da Fundação Centro de Oncologia do Amazonas (FCecon), destaca a campanha da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) lançada no último dia 4, Dia Mundial de Combate ao Câncer, chamando a atenção para a importância da prevenção desse tipo de câncer.
Ao explicar que nos estados do Norte e Nordeste os números de câncer de pênis são alarmantes se comparados às demais regiões, o médico destaca que no Amazonas, nos últimos 20 aos, foram registrados mais de 200 casos, e desses, mais da metade foi para amputação.
Entre os fatores de risco para a doença, o médico, que é membro titular da SBU, destaca a contaminação pelo vírus HPV, presente em pelo menos metade dos casos desse tipo de câncer.
“Sabe-se que no Amazonas existe uma incidência alta de HPV, pois o estado é líder nacional em câncer de colo de útero, temos a vacina disponível para meninos e meninas nas unidades de saúde, entretanto, a adesão ainda é baixa”, lamenta Giuseppe, aconselhando os pais e mães a levarem os filhos e filhas para vacinação contra HPV.
Outro dado importante destacado pelo médico é que muitos dos pacientes que chegam com a doença em estado avançado são do interior do Estado, o que contribui para o elevado número de amputações parciais ou totais.
“Além da prevenção, o diagnóstico mais rápido faz toda a diferença nesses casos”, explica.
A falta de higiene correta do pênis com água e sabão é outro fator fundamental para a prevenção. A existência de fimose (pele que encobre a cabeça do pênis) dificulta essa higiene, por isso a recomendação é que o homem faça retirada cirúrgica, observa o urologista.
Além desses fatores, as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e tabagismo também contribuem para o aparecimento desse tipo de câncer, que é potencialmente evitável, afirma Giuseppe, lembrando a importância do uso do preservativo nas relações sexuais.
O médico chama atenção ainda para a prática de ato sexual com animais, ainda existente nas regiões Norte e Nordeste, como um fator que contribui para esse tipo de câncer.
De acordo com ele, na fase inicial o câncer de pênis aparece como uma ferida ou verruga e o tratamento é simples, com medicamentos e procedimentos que visam preservar o órgão, mas se a doença progride, sem tratamento, pode acontecer a metástase e ela se espalhar pelo organismo.
A média de idade dos pacientes com esse tipo de câncer no Amazonas é a partir dos 50 anos, mas há casos de pacientes na casa dos 30 anos e que tiveram que amputar.
No Brasil, nos últimos 15 anos, o câncer de pênis levou 7.790 homens a perderem o órgão, de acordo com dados da SBU. Em média, 486 amputações são realizadas todo ano no país.

