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Estudantes levam comédia dramática 'O Auto da Compadecida' às praças públicas de Manaus

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A clássica obra 'O Auto da Compadecida', do paraibano Ariano Suassuna, visitará praças públicas da capital do Amazonas. Humildes exaltados e poderosos satirizados fazem parte da literatura de cordel que ganha mais uma versão, dessa vez para o teatro de rua.


Os conhecidos Chicó, João Grilo e toda a trupe do Auto são levados para as praças de Manaus pelo grupo de Teatro Experimental da Universidade do Estado do Amazonas. Formado em 2013 por estudantes do segundo período do curso de teatro, o grupo faz parte de um projeto de extensão. A peça, por sua vez, fez parte da avaliação final da disciplina de Elementos Visuais do Espetáculo, ministrada pelo professor John Castro. “Na verdade foi uma avaliação interdisciplinar, pois juntamos todas as disciplinas que estávamos estudando para construir a peça”, explica a estudante Tainá Lima.

Os personagens centrais da peça, Chicó e João Grilo, são como o Gordo e o Magro: a esperteza é mal repartida, logo, um tem mais e o outro mais ainda. Em meio às suas trapalhadas acabam levados a um julgamento celestial. “No começo do período recebemos a proposta de fazer uma peça avaliativa. Da lista de textos que poderíamos usar, o escolhido foi o Auto da Compadecida, porque era um desafio desvincular a ideia que as pessoas têm da peça, por causa do filme [O Auto da Compadecida, 2000, direção de Guel Arraes]”, explica Tainá.


Quem é quem


No total, nove estudantes compõem o grupo. Emille Nóbrega é a diretora do grupo por sua experiência no teatro e interpreta João Grilo, o pobre porém astuto protagonista. Rodrigo Roque, que estuda música originalmente, paga matéria no curso de teatro, e não teve como fugir: tornou-se o Bispo, que representa a Igreja corrompida.

Cairo Vasconcelos é o bom sacerdote. Como Frade, o estudante tem a missão de defender a Igreja das críticas do autor. “Já trabalhei com o teatro de rua e essa é uma oportunidade de compartilhar, de trocar conhecimento e aprendizado, aprimorar técnicas. E depois de ver o trabalho pronto em seis meses, é muito satisfatório”, garante Vasconcelos.

Deborah Ohana interpreta o Diabo, com roupas de couro como um boiadeiro, de acordo com as crenças nordestinas. A Compadecida - Nossa Senhora -, heroína e advogada de João Grilo e de todos que o Diabo tenta condenar na peça, é Iasmin Benayon.

Junior Victorino, natural de Cuiabá, assumiu o papel de Mulher do Padeiro, a esposa infiel. “Desde 2009 trabalho com teatro, mas em Porto Velho. Então venho de uma cidade que a classe é mais precária e por isso voltei para Manaus, onde cresci, apesar de ter nascido no Mato Grosso. Logo que começamos esse projeto, assumimos um desafio e o meu é fazer, pela primeira vez, uma mulher”, conta o estudante.

A “pequena” do grupo, Tainá Lima, também recebeu um papel desafiador: Severino. “Ninguém imagina uma menina meiga como a Tainá interpretando um cangaceiro violento, estressado e ignorante”, comenta Junior Victorino.

Mas, como a história conta com muito mais personagens, alguns atores receberam o dever de interpretar mais de uma pessoa. Fábio Moura, por exemplo, ganhou a responsabilidade de ser Jesus, símbolo do bem, e Chicó, ingênuo mentiroso que tem prazer em contar histórias, parceiro de João Grilo na pobreza e na pobreza. Wendell Ramos é o burguês muquirana, o Padeiro. Aquele que explora seus empregados e tem acordos com as autoridades corruptas da Igreja. É também Antônio Moraes, o típico senhor de terra, que usa de sua riqueza e poder para amedrontar os outros.


Na rua


Decidida a história, faltava explorar o campo. Tainá explica que o teatro de rua desde o começo foi aceito por todos que formaram o grupo experimental. “É muito diferente do palco italiano, usado nos teatros. Além disso, depois da avaliação na universidade, decidimos levar a peça para a rua. E para isso, tivemos que fazer preparação vocal, preparação corporal, trabalhar na criação de figurinos e cenário fáceis de locomover, entre outros detalhes que fazem a diferença”, explica.

A primeira apresentação aconteceu no bairro Japiim 2. “O teatro de rua te proporciona uma emoção completamente diferente. A população te abraça, interage, porque o público está no mesmo palco que nós. O acolhimento mútuo é lindo. E tivemos esse gostinho na primeira apresentação fora da universidade”, revela Tainá.

A adaptação tem 45 minutos de duração e terá duas apresentações por bairro. A segunda apresentação no Japiim acontece neste domingo, às 17h30, na praça Dioncleimar Nogueira, da rua C16. Após o encerramento, os estudantes fazem um debate com o público.

Tainá Lima informa que o próximo bairro para receber a peça ainda não foi escolhido, mas que a primeira temporada da peça será realizada até junho deste ano. Interessados em levar o 'Auto da Compadecida' produzido pelo Grupo TEU, podem ligar para (92) 88353348 e (92) 94688868

 

 

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