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Especialista explica fatores por trás do aumento de infartos no Amazonas

Especialista explica fatores por trás do aumento de infartos no Amazonas
Especialista explica fatores por trás do aumento de infartos no Amazonas

Manaus/AM - Um levantamento de dados do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), vinculado ao Ministério da Saúde (MS), examinou as taxas de internações por infarto miocárdico no Amazonas entre 2008 e 2022, e os resultados são alarmantes. O cardiologista Marcus Grangeiro analisa o panorama preocupante e destaca fatores que possam ter contribuído para esse expressivo aumento de casos de infarto nos últimos anos.

Em 2022, o Amazonas registrou 1.407 mil internações de homens devido a infartos, enquanto 602 mulheres também foram hospitalizadas. Esses números representam aumentos percentuais impressionantes em relação a anos anteriores.

O especialista explica que a COVID-19 apesar de ser reconhecida inicialmente como uma doença respiratória, pode ter efeitos devastadores ao coração. A inflamação sistêmica desencadeada pelo vírus pode levar a problemas cardíacos, como a miocardite por exemplo (inflamação do músculo cardíaco). 

Ele também ressalta que estudos recentes demonstraram um maior número de eventos cardiovasculares (infarto, AVC ou tromboses vasculares), mesmo após um ano da infecção pelo coronavírus. O que reforça a natureza inflamatória e deletéria a diversos órgãos e sistemas do nosso corpo.

Outro fator crítico pontuado pelo especialista foi a falta de assistência médica experimentada por muitos pacientes com doenças crônico-degenerativas: “Hipertensos, diabéticos e cardiopatas não tinham onde receber atendimento clínico com o fechamento dos ambulatórios. Além disso, os pronto-atendimentos atendiam quase que exclusivamente doentes da Covid-19”.

Além disso, o estresse crônico causado pelo medo, pela morte de familiares e amigos, pela incerteza e pela dúvida quanto ao futuro não podem ser subestimados. “O estresse prolongado pode ser um gatilho importante para eventos cardiovasculares”, alerta o cardiologista.

Por último, mas não menos importante, o estilo de vida também parece ter um papel relevante nos números alarmantes do registro. Sabemos que a nossa cidade é campeã em sobrepeso e obesidade entre as capitais do país. Estes dados estão intimamente relacionados à ingestão aumentada de calorias vazias e pouca ou nenhuma atividade física. 

“À medida que o estado enfrenta esse desafio crítico em sua saúde cardiovascular, é crucial adotar medidas que incluam a conscientização sobre os riscos, a promoção de hábitos de vida mais saudáveis e a melhoria do acesso à assistência médica”, diz o Dr. Marcus Grangeiro ao enfatizar que a prevenção desempenha um papel fundamental na reversão dessa preocupante tendência e na preservação de vidas no Amazonas.

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